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Nortícia CulturaFeriado na Bucólica

Feirinha da FLIM une literatura e gastronomia em Mosqueiro no feriado

Evento de quinta a sábado na Praça da Vila promove contação de histórias, moda e sabores locais.

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Karina Pinheiro
Pará · AM
02 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 726 palavras
Vista da Praça da Vila em Mosqueiro ao entardecer com barracas de feira e público circulando.
Evento de quinta a sábado na Praça da Vila promove contação de histórias, moda e sabores locais. · Foto: Redação Nortícia

O vento que sopra na Praça da Vila, em Mosqueiro, vem com cheiro de maresia e de farinha. Nesta quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi, a brisa que refresca a "Bucólica" vai ganhar um novo tempero: o cheiro de papel fresco e o som de histórias contadas em voz alta, no ritmo lento da ilha. A luz dourada do fim de tarde, que antes batia apenas nas águas barrentas da Baía do Guajará, agora vai se espalhar pelas mesas de livros e pelas vitrines de artesanato que tomam conta da praça.

É a 1ª Feirinha da FLIM, um aquecimento de três dias que traz literatura, gastronomia e artesanato para a beira da calçada do coração do distrito. A ideia não é montar aquela feira de banca quadrada, funcional e sem graça, onde o livro é tratado como mercadoria de supermercado. O projeto, capitaneado pelos Escritores da Praia e pelo Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Artes, é ocupar o espaço público com o que o Pará faz de melhor: a mistura inevitável entre o comer e o ler, o ouvir e o ver, o corpo e a mente.

Em Mosqueiro, o movimento cultural precisa ter gosto. Por isso, entre as capas coloridas dos romances regionais e os livros de cordel feitos à mão, o visitante vai encontrar panelas fumegantes. Não se trata apenas de "vender comida", mas de apresentar a culinária que define a identidade da ilha. Tem que ter tucupi, o jambu fazendo formigação na língua, e o peixe fresco que sai da água e vai direto para a frigideira. A gastronomia aqui não é coadjuvante; é personagem que senta na roda de conversa, divide a mesa e pede licença para ler o menu junto com você.

Para escrever sobre a ilha sem cair no óbvio cartão-postal de "praia do povo", é preciso entender a calmaria que interrompe o ritmo frenático de Belém. A Feirinha vem justamente para tensionar esse equilíbrio, trazendo o agito da criação para onde tudo parece estar sempre em câmera lenta. A programação promete contação de histórias para crianças — aquelas narrativas orais que ajudam a formar o ouvido e o imaginário do ribeirinho urbano — e até um desfile de moda. Se o desfile for fiel à terra, não vai ter models de passada rígida, mas sim gente vestindo o algodão, a cerâmica e os sons da floresta.

O evento serve como ensaio geral para a grande festa, a 5ª Festa Literária de Mosqueiro, marcada para novembro, quando a ilha vira a capital literária do estado. Mas é na Feirinha, no calor do feriado, que a gente vê o sangue pulsando na rua. O karaokê, por exemplo, pode parecer elemento estranho em um evento literário para os padrões paulistas, mas não em Mosqueiro. Lá, o canto é respiração; é a forma que o morador encontrou de extravasar a alegria e o cansaço. Vai ter gente soltando a voz ao lado de quem está lançando um livro de poemas. Essa mistura é que é a cara da cultura do Norte: sem hierarquia, tudo junto e misturado na farinha-d'água.

Espera-se que a iniciativa movimente a economia local, injetando dinheiro na carteira dos artesãos e dos autores independentes que muitas vezes não têm espaço nas grandes livrarias da capital. Mas mais do que o ganho financeiro, há o ganho simbólico: aproximar quem vive na ilha daquilo que ali se produz. O morador de Mosqueiro que compra um livro de um autor que nasceu e cresceu vendo o mesmo mar, e comeu a mesma caranguejada, está fazendo um ato de afeto e reconhecimento. O turista que para na barraca de artesanato, mesmo que seja apenas por curiosidade, leva um pedaço da argila do Pará para dentro da mala.

Corpus Christi em Mosqueiro tem aquele clima de reza descomposta em descanso. As pessoas acordam tarde e vão para a praça. A Feirinha entra nesse vazio como preenchimento inteligente: não é o ócio vazio, é o ócio criativo. A Feirinha da FLIM acontece na Praça da Vila, das 17h às 22h, na quinta-feira (4), sexta (5) e sábado (6). A entrada é franca, o que raro e bom. O convite é para deixar o celular um pouco de lado, sentir o texto na pele e provar um pouco da Ilha que vai além da praia. A "Bucólica" vai estar lá, esperando para ser lida, ouvida e saboreada.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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