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Parárraiá 2026 começa com shows de Mari Fernandez e festança no Mangueirão

O maior São João da Amazônia começa neste fim de semana com shows de Mari Fernandez e estrutura no Mangueirão.

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Karina Pinheiro
Pará · AM
04 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 738 palavras
Público dança em área aberta sob iluminação amarela durante festival de São João em Belém.
O maior São João da Amazônia começa neste fim de semana com shows de Mari Fernandez e estrutura no M · Foto: Redação Nortícia

O farol do Mangueirão amarela o cinza do asfalto do estaleiro, e o cheiro de pólvora ainda não tomou conta do ar, mas a sanfona já ensaia o primeiro acorde. No estacionamento do Estádio Olímpico do Pará, o chão tátil que antes recebia carros agora aguarda o passo arrastado da quadrilha e o pulo do piseiro. Começa nesta sexta-feira (5) o Parárraiá 2026, o maior São João da Amazônia, prometendo transformar a terra batida de Belém no palco onde o forró encontra o calor equatorial. A poeira que sobe com a primeira batida de bumbo é o sinal de que junho, o mês mais sagrado do calendário festivo do Norte, chegou para ficar.

A terceira edição do evento divide a festa em dois fins de semana intensos — 5, 6 e depois 12, 13 de junho. Não é um arraial qualquer; é uma construção sonora que reúne o tradicional junino com a força da música eletrônica e do sertanejo universitário que tomou conta das últimas festas do país. O Parárraiá traz para a capital paraense a grandiosidade das festas do interior, comprimindo a energia de Caruaru ou Campina Grande em um único espaço urbano, adaptado para o clima e para a gíria local.

Mari Fernandez, a cantora mineira que transformou o piseiro em hino nacional da garotada, é a voz que abre a cerimônia. Ela chega a Belém com a promessa de entregar o "maior São João da carreira", em seus próprios dizeres. Para uma artista que tem o Nordeste como berço e palco, pisar no Pará é um ritual de passagem. "Fazer parte do Parárraiá e levar nosso show para Belém, uma cidade que sempre me recebe com tanto carinho, é uma alegria gigante", contou a cantora, prevendo o quebra-quebra que seus sucessos costumam provocar na pista. É a primeira vez que o festival experimenta a força da voz feminina liderando a abertura, mudando a tessitura da festa que costuma começar com o grave dos instrumentos de metal.

Mas o Parárraiá não vive só de palco. A estrutura montada no entorno do Mangueirão cria uma cidade temporária de festa, onde a arquitetura é feita de tendas, cabos de som e luzes. Há a área premium e os camarotes fechados para quem busca conforto para ouvir o show longe do empurra-empurra, mas o coração da festa pulsa no espaço gratuito. É lá, no meio da multidão, onde o suor é compartilhado e o cheiro de milho verde assado, de pamonha quentinha e de cachorro-quente se mistura ao som das bandas de pífanos, que a festa realmente acontece. É no pise coletivo, sem sapatos ou com tênis gastos, que a identidade amazônica do festival se afirma.

O olhar de fora vê apenas um evento de shows; o olhar de quem vive o Pará vê a retomada de uma economia criativa que movimenta a cidade e aquece a noite fria de junho. Para garantir que a celebração transcorra sem sombras, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) mobilizou um aparato que parece um exército em campo. São mais de 700 agentes, entre Polícia Militar, Polícia Civil e órgãos municipais, espalhados pelos acessos e interior do evento. É um balanço delicado: manter a ordem sem sufocar a alegria que caracteriza o mês de junho na capital. A presença policial é maciça, necessária para conter a euforia de uma multidão que cresce a cada edição.

A programação é um convite para esquecer a rotina de trabalho e se entregar ao ritmo. Além de Mari Fernandez, o cartaz promete outros nomes que fazem a cabeça da galera e dos que apreciam um bom forró de pé-de-serra. É a oportunidade de ver, ao vivo, a música que toca no rádio e nos streaming transformada em vibração física, no peito, contra o peito da pessoa ao lado. O Parárraiá não é só sobre ouvir música, é sobre estar junto, de mãos dadas, em roda, celebrando a fartura e a chuva que (espera-se) só caia de madrugada.

O Parárraiá 2026 rola no Estaleiro do Mangueirão, na Travessa Padre Eutíquio, em Belém. As portas abrem na sexta-feira (5) às 17h, mas a fila começa muito antes. A entrada gratuita é liberada mediante acesso aos portões, enquanto os ingressos para área VIP e camarotes ainda estão disponíveis nas plataformas oficiais do evento. O conselho é chegar cedo, calçar tênis confortável e preparar a voz: o chão de Belém vai trevar até o dia 13.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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