Parárraiá une rock doido e sertanejo em fim de semana lotado no Mangueirão
Festival gratuito reuniu milhares no estacionamento do Mangueirão para shows de Zé Vaqueiro, Xand Avião e o ritmo local 'rock doido' com Mari Fernandez.
O ritmo de 150 batidas por minuto do 'rock doido' faz o peito vibrar antes mesmo de a voz do cantor entrar. No estacionamento do Mangueirão, sob a luz dos holofotes que cortam a poeira de Belém, a aparelhagem Carabao amortece o impacto da batida no asfalto, e a multidão responde em coro. É o Parárraiá 2026, que transformou o espaço físico do futebol em uma pista de dança ao ar livre para forró eletrônico. Três anos de estrada e o evento já se define não pela chapelaria de palha, mas pela potência do som que reverbera na capital paraense.
Na sexta-feira (5), o ar aqueceu com Henrique e Juliano e Mari Fernandez, mas o momento de fusão cultural veio de improviso. Viviane Batidão subiu ao palco ao lado de Mari para uma sequência que misturou o arrocho do sertanejo com o caldeirão rítmico das aparelhagens da periferia. Foi um 'rock doido' cantado em dueto, onde a melodia do Nordeste encontrou a pesada batida de baixo que define as festas de rua de Belém. O público, misturado entre famílias e jovens, não parou de saltar.
No sábado (6), a expectativa antes dos shows era de futebol. No telão gigante do palco, milhares de olhos acompanharam a vitória da Seleção Brasileira sobre o Egito por 2 a 1. O gol aqueceu a torcida, mas o clima esquentou de vez quando o som da aparelhagem voltou a dominar. A noite coube a Nirah, Léo Foguete e as estrelas principais: Zé Vaqueiro e Xand Avião.
Zé Vaqueiro, que knows o território, não fez apenas o show de estrada. Ele apostou na batida local para conectar com a plateia, acelerando o set e avisando: vai gravar DVD em Belém no segundo semestre. O encerramento ficou por conta da Carabao, tocando até a madrugada, lembrando que em Belém a festa junina tem cheiro de mato, gosto de jambu e som alto.
O Parárraiá é entrada franca. Isso significa que a festa democrática se faz no suor, sem cordas de VIP que separam quem paga de quem dança. Quem quiser sentir o 'rock doido' no peito ainda tem chance: o festival retorna no próximo final de semana, com mais tendas de comida e a mesma batida que faz o chão tremer.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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