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Parque Residência abre em Macapá com batuque de Marabaixo e avião Bandeirante

Antiga residência oficial vira espaço público; programação gratuita reúne tradição e música eletrônica nesta sexta.

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Karina Pinheiro
Amapá · AM
29 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 543 palavras
Avião Bandeirante exposto no gramado do Parque Residência durante inauguracao em Macapá.
Antiga residência oficial vira espaço público; programação gratuita reúne tradição e música eletrôni · Foto: Redação Nortícia

O som grave do tambor de Marabaixo racha a tarde e encontra o batidão eletrônico da pista. No calor de Macapá, o muro que escondia a antiga residência oficial do governo não apenas caiu; foi tomado pelo ritmo. É sexta-feira, 15h, e o ar que entra pelo Parque Residência já cheira diferente — mistura de grama recém-cortada, expectativa e a poeira levantada pelos passos da curiosidade.

O que era uma casa de poder isolada se transforma, oficialmente, no novo parque da capital. A inauguração deste espaço no Centro de Macapá não é um ato administrativo; é a devolução de um pedaço da cidade aos moradores. A estrutura, que antes abrigava apenas o governador e sua comitiva, agora acolhe famílias, turistas e curiosos. O chão antes vigiado agora é livre para ser pisado descalço.

O destaque visual que compete com o palco é um gigante de metal pintado de branco e vermelho. O avião Bandeirante, que nos anos anteriores sobrevoou a floresta densa e os rios difíceis do Amapá, agora descansou sobre o gramado do parque. Na semana passada, a cidade parou para ver a aeronave cruzar ruas estreitas, manobra delicada que colocou a peça em seu novo hangar a céu aberto. O avião não é apenas enfeite; é um testemunho de mais de duzentas missões de salvamento, como relembra quem voou por lá. Ele fica ali, estático, guardando a memória da aviação militar e civil do estado, convidando as crianças a tocarem suas asas frias.

A programação de abertura é um batismo de fogo e ritmo. Começa solene, com o Hino Nacional cantado por Deize Pinheiro, mas não demora para o corpo assumir o comando. Às 18h, o parque vibra com os grupos de Marabaixo. Não é qualquer apresentação. Raimundo Ladislau sobe ao palco trazendo a batida que define a identidade amapaense, o ritmo que dizima a dor e celebra a resistência. Com ele, vêm a Associação Cultural Berço do Marabaixo e a Associação Cultural Zeca. Eles trazem as ladainhas, o saracotear das saias e o reboliço que confunde sagrado e profano. É o som da diáspora, o batuque que veio da África e criou raízes firmes no Curiaú e no centro da cidade.

A noite não espera o sol se por todo. DJs Famosinho e Luiz Carlos cuidam da transição. Eles pegam a herança cultural e a digerem na linguagem moderna da pista. É o encontro de duas Macapás: a que guarda a tradição oral e a que dança o futuro. O samba também tem seu espaço, funcionando como ponte entre o tambor primitivo e a caixa de ritmos.

Andar pelo parque agora é perceber a arquitetura sob nova ótica. As janelas que espiavam a cidade agora são espiadas. A varanda que recebia autoridades agora recebe qualquer um que queira descansar do calor da avenida. É a democratização do horizonte. O Bandeirante, imóvel, parece vigiar essa troca.

A festa é gratuita e estende o convite até as primeiras horas do sábado, indo até as 2h30. Não é preciso compra antecipada, apenas vontade de ocupar. O Parque Residência fica no Centro de Macapá. A porta abre hoje, sexta-feira (29), às 15h. O Marabaixo começa pontualmente às 18h, mas a experiência de ver o avião no gramado começa assim que você atravessar o portão.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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