PC cumpre mandados em investigação de morte de brigadista no Tocantins
Dois agropecuaristas e um PM são investigados pelo assassinato de Sidiney de Oliveira Silva, ocorrido em 2024 na Ilha do Bananal.
A Polícia Civil do Tocantins deflagrou na manhã desta segunda-feira (1º) uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão na região de Formoso do Araguaia, no sul do estado. A ação, coordenada pela 3ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Gurupi, visa apurar o assassinato do brigadista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Sidiney de Oliveira Silva, ocorrido em junho do ano passado.Entre os alvos da investigação policial estão dois agropecuaristas e um policial militar da área. Segundo o inquérito que tramita na 3ª DHPP, as diligências buscam reunir provas materiais e documentais que liguem os investigados à autoria do crime, registrado como homicídio doloso. A operação é o resultado de meses de inteligência policial, incluindo análise de telefonia e cruzamento de dados sobre conflitos fundiários na região da Ilha do Bananal.O crime foi registrado em 15 de junho de 2024, na residência da vítima. Conforme o Boletim de Ocorrência, Sidiney foi atingido por dois disparos de arma de fogo na porta de sua casa. A irmã do brigadista, testemunha presencial, relatou à autoridade policial ter ouvido estrondos e, ao sair para verificar, encontrou o corpo caído próximo ao portão. A vítima, que era casada e pai de três filhos, atuava no Programa Prevfogo/Ibama e tinha atuação destacada no combate a incêndios na região.Durante as buscas realizadas nesta segunda-feira, a equipe policial localizou munição de uso restrito em uma das propriedades alvo. Um dos agropecuaristas, identificado como R.S., 54 anos, foi preso em flagrante pelo delito de posse ilegal de munição, tipificado no artigo 16 da Lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento). A autoridade policial relatou que a quantidade e o calibre do material apreendido indicavam uso não compatível com a defesa pessoal, o que fundamentou a prisão em flagrante.A participação de um policial militar na lista de investigados exige rigor procedimental. A DHPP informou que o caso será comunicado à Corregedoria da Polícia Militar para apuração de eventual infração administrativa ou militar paralela à investigação criminal. A identidade do PM foi preservada nesta fase para garantir a integridade das diligências, que seguem em segredo de justiça.Procurada, a defesa do agropecuarista preso em flagrante informou, por meio de assessoria, que irá aguardar o laudo pericial da munição para se manifestar sobre a legalidade da posse e que entrará com pedido de liberdade provisória. A defesa dos demais investigados não foi localizada para comentar o caso até o fechamento desta matéria.A região de Formoso do Araguaia e do Cantão tem enfrentado aumento na tensão entre atividades agropecuárias e fiscalização ambiental. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Tocantins apontam para um recrudescimento de crimes violentos no campo no último biênio. O caso de Sidiney de Oliveira Silva ganhou notoriedade regional por envolver um servidor público federal em atividade de fiscalização.O inquérito policial deve seguir para a fase de relatório final após a conclusão dos laudos periciais sobre a munição apreendida e o cruzamento das informações obtidas nos mandados de busca. O Ministério Público Estadual analisará o conjunto probatório para decidir pelo oferecimento da denúncia criminal. O detido em flagrante deverá passar por audiência de custódia nas próximas horas na Comarca de Formoso do Araguaia.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



