PC investiga mortes de padrasto e enteada carbonizados em Araguaína
Corpos foram encontrados após testemunhas relatarem explosão; vítima tinha condenação anterior por crime similar.
A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Araguaína investiga as causas de um incêndio que resultou na morte de duas pessoas na manhã desta quarta-feira (3). As vítimas, identificadas como Ivano Vaz Cunha, 49 anos, e Laiane Cardoso Noleto, 19 anos, foram encontradas carbonizados no interior de uma residência localizada no conjunto Santa Tereza, na zona norte do município do Tocantins. O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado por volta das 6h30 após vizinhos relatarem uma forte explosão, seguida de fumaça densa.
Segundo informações preliminares do Boletim de Ocorrência (BO), as equipes de resgate encontraram os corpos em um dos quartos da casa. O estado de carbonização avançado impossibilitou o reconhecimento visual imediato, exigindo a análise odontológica e a comparação com exames médicos antigos para a confirmação da identidade. A perícia da Polícia Civil esteve no local durante todo o dia para coletar vestígios e tentar reconstruir a dinâmica do evento. A principal linha de investigação busca determinar se o incêndio teve origem acidental, por uma falha no sistema de gás, ou se foi provocado intencionalmente.
O caso ganhou repercussão estadual devido ao histórico criminal de uma das vítimas. Levantamentos junto ao Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) indicam que Ivano Vaz Cunha possuía condenação transitada em julgado pelo homicídio de outra jovem de 18 anos, ocorrido em 2009, também na região de Araguaína. Naquele episódio, a vítima foi encontrada carbonizada em circunstâncias semelhantes. Cunha foi condenado a 18 anos de reclusão em 2015, cumprindo parte da pena em regime fechado e obtendo progressão para o semiaberto recentemente. No processo anterior, a promotoria argumentou que o crime foi cometido com asfixia seguida de fogo para ocultar o cadáver. A informação foi cruzada pela polícia, que não descarta nenhuma hipótese, inclusive a de crime passional ou autoextermínio, embora não haja, até o momento, indícios de entrada forçada de terceiros na residência.
Testemunhas ouvidas pela DHPP afirmaram que, momentos antes da explosão, não foi percebido qualquer movimento suspeito nas imediações. Parentes de Laiane informaram que a jovem morava com a mãe e o padrasto. A mãe da vítima estava trabalhando no momento do fato e foi notificada pela polícia ao chegar ao endereço. Segundo familiares, Laiane não havia relatado qualquer ameaça ou conflito grave nos dias anteriores. A residência sofreu danos estruturais significativos, com a destruição total do telhado e danos nas paredes internas.
O delegado responsável pelo caso informou, em nota oficial, que o inquérito policial tramitará em segredo de justiça. O Instituto de Criminalística (IC) deve encaminhar laudos técnicos sobre a origem do fogo e as lesões corporais nos próximos dias. A polícia aguarda também o resultado do exame de toxicologia para verificar se havia uso de substâncias químicas que pudessem ter contribuído para o evento. O inquérito, que segue sob protocolo reservado na 2ª Vara Criminal de Araguaína, deve ser concluído e remetido ao Ministério Público após a finalização dos exames periciais.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


