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PF investiga milícia digital e desvio de R$ 25 mi em Macapá

Polícia Federal cumpre mandados contra grupo que usava verba pública para atacar opositores. Ex-prefeito Dr. Furlan é alvo das investigações em novo caso de corrupção.

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Curadoria Nortícia
Amapá · AM
26 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 658 palavras
Polícia Federal em operação em Macapá Amapá
Polícia Federal cumpre mandados contra grupo que usava verba pública para atacar opositores. Ex-pref · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Federal deflagrou uma nova fase de investigações que expõe as entranhas da política amapaense. Na manhã desta terça-feira (26), mais de 30 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Macapá. O foco é o desmonte de uma organização criminosa apelidada de "milícia digital". As suspeitas são pesadas: o grupo teria desviado mais de R$ 25 milhões da Prefeitura de Macapá para financiar operações de ataque e defesa política nas redes sociais.

O esquema investigado pela PF não é apenas um caso de corrupção tradicional. Ele mistura a apropriação indébita de verbas públicas com a manipulação algorítmica da informação. Segundo a força-tarefa, contratos de publicidade institucional — dinheiro que deveria ser usado para informar a população sobre serviços da prefeitura — foram redirecionados. O destino final eram contas de influenciadores digitais, jornalistas e uma agência de publicidade específica.

A arquitetura da milícia digital

A "milícia" atuava como um braço armado, mas digital, do poder público. O objetivo central era a promoção constante da imagem do ex-prefeito Dr. Furlan (PSD) e de sua esposa. Paralelamente, o grupo disparava ataques coordenados contra adversários políticos e qualquer voz crítica à gestão. A estrutura, segundo a PF, está em atividade há quatro anos.

O modus operandi envolvia a contratação de serviços de publicidade de forma direta ou via processos fraudulentos. Em vez de campanhas educativas ou de utilidade pública, o dinheiro produzia conteúdo político partidário disfarçado. Influenciadores eram cooptados para amplificar mensagens de ódio ou louvação, criando um efeito de "exército virtual" nas redes sociais. Entre os alvos desta terça-feira estão ex-secretários de governo e sócios da agência que intermediava o repasse de recursos.

O prejuízo estimado, até o momento, passa de R$ 25 milhões. É um volume expressivo de dinheiro que deixou de ser investido em saúde, educação e infraestrutura para alimentar uma máquina de propaganda política. O uso de ferramentas digitais para esse fim representa uma evolução perigosa do jogo de poder local, onde a verdade dos fatos é substituída pela força do algoritmo pago com dinheiro do contribuinte.

De Prefeito a Pré-candidato

O contexto desta operação é fundamental para entender o momento político do Amapá. Dr. Furlan, figura central das investigações, não está mais no cargo executivo, mas continua atuando na política estadual. Ele renunciou ao mandato de prefeito em março deste ano, logo após ser alvo de outra operação da PF, a "Falso Negativo".

Na ocasião, as investigações apontavam fraudes em licitações e desvios na obra de um hospital municipal, orçada em cerca de R$ 70 milhões. A estratégia de renúncia permitiu que Furlan fugisse de certas prerrogativas jurídicas inerentes ao cargo de chefe do Executivo municipal. Pouco depois de deixar a prefeitura, ele se lançou como pré-candidato ao governo do Estado.

Agora, a PF conecta os pontos. A suspeita é de que o financiamento desta milícia digital continuou, ou se intensificou, para alavancar essa nova candidatura ao Palácio do Governo. O dinheiro público roubado da prefeitura seria, portanto, o combustível ilegal de uma campanha estadual. A operação busca provas materiais dessa conexão, como planilhas de pagamento, contratos e mensagens internas que comprovem a articulação entre a máquina pública e o marketing político pessoal.

A situação coloca em xeque não apenas a integridade do ex-gestor, mas a transparência dos processos de contratação publicitária no município. Enquanto a cidade carece de manutenção básica, recursos milionários eram drenados para sustentar a popularidade de um político no ambiente virtual. As investigações devem avançar para identificar se houve recebimento de propina ou outros crimes relacionados à lavagem de dinheiro.

A expectativa é de que novas prisões ou bloqueios de bens ocorram nos próximos dias. A população de Macapá e do Amapá acompanha atenta os desdobramentos de um escândalo que mistura a velha política clientelista com as novas ferramentas de manipulação digital. O caso servirá de teste para a capacidade das instituições de conter o uso indevido da tecnologia e do dinheiro público em eleições.

Com base em g1-ap.

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◆ Repórter · Nortícia Política

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