PF cumpre mandados contra policiais suspeitos de roubo de ouro em Manaus
Investigação aponta participação de servidores em quadrilha que visava minério extraído ilegalmente por terceiros.
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (29) a Operação Auxílio Criminoso em Manaus. A ação visa cumprir quatro mandados de busca e apreensão contra quatro investigados pela prática de roubo de ouro e formação de quadrilha. Entre os alvos da autoridade policial encontram-se três policiais militares, identificados pelas iniciais F.P.F., G.L.F. e A.T.S.A., além de um quarto integrante da organização.
Segundo a Superintendência da PF no Amazonas, as investigações tiveram início após a prisão em flagrante de suspeitos durante uma tentativa de roubo de minério, registrada em outubro de 2025. A autoridade policial apurou que o ouro alvo do crime naquela ocasião havia sido extraído ilegalmente por uma organização criminosa distinta, indicando um cenário de conflito entre grupos rivais no mercado ilegal do garimpo na capital.
O inquérito, que tramita em sigilo, reuniu evidências de que o grupo investigado atuaria no planejamento e execução de roubos para se apropriar de cargas de ouro já extraídas ou em trânsito na região metropolitana. Os mandados cumpridos nesta sexta-feira têm o objetivo de aprofundar o levantamento de provas materiais e documentais que liguem os investigados aos crimes de roubo qualificado e associação criminosa, além de localizar possíveis outros envolvidos na estrutura logística.
Manaus funciona como um polo de escoamento e comércio de ouro, e a ausência de rastreabilidade eficiente do minério favorece a ação de quadrilhas especializadas no roubo de carga desses metais preciosos. O modus operandi descrito na investigação sugere que os policiais investigados utilizariam, em tese, a condição de agentes de segurança para facilitar as ações delitivas, fornecendo inteligência ou proteção durante os assaltos.
Procurada, a defesa dos policiais investigados não foi localizada até o fechamento desta matéria. Caso sejam indiciados, os servidores responderão em liberdade, salvo determinação judicial em contrário, e também passarão por procedimento administrativo interno em suas corporações. A apreensão de celulares, armas e documentos durante os mandados de busca será fundamental para o período processual subsequente.
Após a análise do material apreendido, a PF deve encaminhar o inquérito ao Ministério Público Federal. O MPF poderá então oferecer denúncia pelos crimes tipificados no Código Penal, levando em consideração a qualificadora do uso de arma de fogo e a majorante pelo concurso de pessoas. O caso segue sob acompanhamento da 2ª Vara Federal Criminal de Manaus.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



