ed. #025
nortıcia
nortícia · economia · amazonas
Nortícia EconomiaIndicadores Suframa

PIM fatura R$ 78,56 bi no primeiro quadrimestre e dispara exportações em 37%

Balanço do Polo Industrial de Manaus aponta alta nominal de 4,4% na receita e salto nas vendas externas, enquanto emprego se mantém estável na casa dos 130 mil.

r
Renato Lobo
Amazonas · AM
19 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 654 palavras
Linha de montagem em operação em fábrica do Polo Industrial de Manaus.
Balanço do Polo Industrial de Manaus aponta alta nominal de 4,4% na receita e salto nas vendas exter · Foto: Redação Nortícia

O Polo Industrial de Manaus (PIM) acumulou faturamento nominal de R$ 78,56 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, uma alta de 4,40% em relação ao intervalo equivalente de 2025, quando a receita foi de R$ 75,25 bilhões. O dado, que ainda carece de deflação oficial pelo IPCA para revelar o crescimento real de volume, foi divulgado ontem pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) através dos Indicadores de Desempenho. Embora o avanço pareça moderado à primeira vista, o cenário é alavancado por um componente externo robusto: as exportações.

No acumulado de janeiro a abril, as vendas para o exterior atingiram US$ 277,10 milhões — um salto expressivo de 37,29% sobre os US$ 201,83 milhões do mesmo período do ano anterior. Apenas em abril, o fluxo de cambial gerado pelas vendas externas do PIM somou US$ 62,21 milhões. Para colocar em perspectiva, enquanto a indústria de transformação do Sudeste ainda enfrenta desafios para recuperar níveis de ocupação plena em alguns segmentos, Manauara usa a janela do dólar e a diversificação da pauta para ganhar espaço em mercados como a América Latina e África.

"O salto nas exportações é o ponto de luz deste balanço. Enquanto o mercado interno brasileiro segue refém do juro estruturalmente alto e do consumo frágil, o mercado externo tem sido a válvula de escape para setores como o de Duas Rodas e Eletroeletrônicos", analisam os indicadores. O setor de Duas Rodas não é apenas líder em faturamento, com 20,91% da fatia total; é o termômetro do poder de compra da classe C emergente nos países vizinhos e da mobilidade urbana brasileira. As motocicletas fabricadas em Manaus dominam não apenas as ruas da capital, mas as rodovias de todo o Norte e Nordeste, além de embarcações para o exterior.

Atrás do segmento de motocicletas, vêm Bens de Informática (19,62%) e Eletroeletrônico (16,25%). A tríade concentra mais de metade da riqueza gerada no Distrito Industrial. A participação de Bens de Informática prova que a capital amazonense continua sendo um hub vital para a inclusão digital do país, fabricando desde monitores até tablets que abastecem escolas e escritórios. Já os segmentos de Termoplástico (10,13%), Químico (11,43%), Metalúrgico (8,87%) e Mecânico (6,79%) atuam como base de sustentação, fornecendo insumos e peças para os gigantes da montagem e atendendo demandas da construção civil e indústria de bens de capital.

Na ponta do emprego, o cenário é de estabilidade contida, sem aquecimento expressivo da contratação. A média mensal de vagas no primeiro quadrimestre de 2026 ficou em 130.470 postos. No fechamento de abril, o contingente somava 129.278 trabalhadores, considerando efetivos, temporários e terceirizados. O número reflete o momento cauteloso das empresas: há produção e faturamento, mas a margem de lucro comprimida pelos custos de insumos e energia inibe uma ampliação agressiva da mão de obra. Para o trabalhador amazonense, isso significa que o mercado de trabalho formal na Zona Franca segue oferecendo segurança, mas poucas novidades em termos de novas oportunidades de ingresso.

É fundamental ressaltar que o faturamento nominal esconde pressões de custo. A inflação industrial, medida por índices específicos, corroeu parte do ganho de receita bruta. Quando se desconta a alta dos preços, o volume físico vendido provavelmente cresceu a um ritmo menor que os 4,4% nominais. Ainda assim, o desempenho das exportações sugere que a capacidade produtiva instalada no PIM está encontrando seu lugar no mapa global, reduzindo a dependência exclusiva do mercado doméstico brasileiro.

A próxima etapa de monitoramento será crucial. O segundo semestre tradicionalmente puxa a demanda por eletrônicos e motos no Brasil, impulsionado pelo décimo terceiro salário e pelas liquidações de fim de ano. Se o dólar se mantiver em patamares competitivos e a demanda global não arrefecer, o PIM deve fechar 2026 repetindo ou superando os números de 2025. A expectativa do setor é que o próximo relatório, que trará os dados de fechamento do primeiro semestre, confirme a tendência de valorização da produção manauara no cenário internacional.

r
◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Economia

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em economia no Norte. Sem agenda, sem partido.