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Mercado publicitário do Amazonas testa recuperação em evento do Grupo Rede Amazônica

Encontro em Manaus discutiu a dependência regional da TV aberta e a valorização de profissionais em um ano de juros altos.

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Renato Lobo
Amazonas · AM
18 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 677 palavras
Profissionais de mercado conversam em área de lazer durante evento do Grupo Rede Amazônica em Manaus.
Encontro em Manaus discutiu a dependência regional da TV aberta e a valorização de profissionais em · Foto: Redação Nortícia

O mercado publicitário do Amazonas movimenta cerca de R$ 180 milhões anuais em mídia tradicional — um volume que, aparentemente estável, esconde a pressão do custo de capital sobre as agências e anunciantes em 2026. Foi para analisar este cenário e fortalecer laços comerciais que o Grupo Rede Amazônica promoveu, na última quinta-feira (18), o "Dia do Mídia" no Amazon Bowling, no Studio 5 Shopping, na Zona Sul de Manaus. Diferente dos eventos corporativos de sala de conferência, a iniciativa usou o lazer para debater estratégias de um setor que, no Norte, ainda depende pesadamente da televisão aberta para alcançar o interior.

Para colocar em escala: enquanto no eixo Rio-São Paulo o investimento digital já responde por mais de 60% das verbas de mídia, no Amazonas e em estados vizinhos a televisão — especialmente a afiliada da Globo, liderança isolada de audiência — ainda segura cerca de 70% do bolo publicitário de grandes anunciantes. A explicação é logística e econômica: o alcance da internet móvel no interior da Amazônia ainda é irregular, e o consumo de TV aberta segue como hábito central nas casas de menor renda, o público-alvo do comércio de massa.

"A iniciativa busca reconhecer a importância dos profissionais de mídia, que diariamente transformam planejamento e inteligência de mercado em resultados para os anunciantes e para toda a cadeia da comunicação", destacou a gerente de Marketing do Grupo Rede Amazônica, Rosangela Barreiros, sobre o evento que reuniu gestores de agências e veículos. Na prática, o evento serviu como termômetro para o que o setor chama de "pauta comercial" — o estoque de espaço publicitário disponível para venda.

Do ponto de vista macroeconômico, o ambiente é desafiador. A Taxa Selic patinar acima de 10% ao ano encare o financiamento de capital de giro para as indústrias da Zona Franca de Manaus e para o varejo, que acabam repassando o aperto orçamentário para a verba de propaganda. O resultado é uma pressão por maior eficiência: o anunciante quer saber exatamente quantos clientes cada real investido na Rede Amazônica traz, exigindo métricas que antes eram monopólio do Google e Facebook.

Historicamente, o Grupo Rede Amazônica atua como um oligopólio natural de mídia no estado. Com cobertura que chega a 98% dos municípios, a detentora da afiliada da Globo dita o preço do CPM (custo por mil impressões) no mercado regional. Isso dá ao grupo poder de bargança, mas também a responsabilidade de ser o principal canal de escoamento da produção local para o consumidor. Se a Rede Amazônica esfria a venda de espaços, o comércio de Manaus e do interior sente imediatamente na caixa registradora.

No entanto, o "Dia do Mídia" também revelou uma tensão silenciosa: a ascensão das mídias sociais proprietárias dos próprios varejistas. Grandes redes de supermercados e eletrodomésticos em Manaus criaram seus próprios canais no Instagram e WhatsApp, reduzindo a dependência de inserções na TV tradicional para promoções relâmpago. "O investimento migrou da marca institucional para a venda direta e performance", avalia um economista do setor local que preferiu não se identificar. "A TV ainda é rainha para lançar produtos, mas o dia a dia da oferta migrou para o digital."

A comemoração, que contou com boliche e sinuca, teve cunho evidentemente institucional, mas sinaliza uma preocupação latente: a necessidade de humanizar a relação comercial. Em um mercado onde o algoritmo domina, o "olho no olho" proposto pelo evento no Studio 5 é uma estratégia de retenção de contas. Manter o gestor de mídia próximo é a única defesa contra a automação das compras de anúncios via plataformas programáticas que, crescentemente, compram o inventário da própria TV Globo via central nacional, bypassando, em parte, as vendas locais.

A expectativa do setor é que o segundo semestre traga uma melhora, impulsionada pelas campanhas de Natal e pelo décimo terceiro salário, que injetam liquidez na economia local. Os próximos indicadores de faturamento do comércio varejista do Amazonas, a serem divulgados pela Fecomércio-AM em julho, serão o termômetro real para saber se a otimista mesa de sinuca do "Dia do Mídia" terá correspondência na realidade do PIB manauara.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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