PM localiza dois foragidos da Interpol em fazenda no Marajó
Ação do 8º BPM ocorreu durante diligência para reintegração de posse; suspeitos com antecedentes foram encaminhados para PF.
A Polícia Militar do Pará localizou dois homens procurados pela polícia internacional (Interpol) durante uma diligência realizada em uma propriedade rural na zona rural de Cachoeira do Arari, no Arquipélago do Marajó. A ação foi executada na manhã desta quinta-feira (29) por equipes do 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM), subordinado ao Comando de Policiamento Regional XI (CPR XI), e resultou na detenção de cinco indivíduos.
Segundo o boletim institucional divulgado pela Assessoria de Comunicação da Corporação (Ascom), a missão primária da tropa não era a captura de foragidos, mas o levantamento de informações topográficas e de ocupação para subsidiar um processo de reintegração de posse em tramitação na Justiça estadual. A propriedade alvo da diligência fica em uma área de difícil acesso, o que exigiu logística específica da guarnição, que partiu do município de Soure nas primeiras horas da madrugada.
O deslocamento até a fazenda demandou aproximadamente seis horas, com a tropa chegando ao local por volta das 12h. Devido à extensão da área e às características da vegetação local, os militares empregaram um drone de vigilância para mapear a perícia antes da entrada na sede da propriedade. A sobrevoação permitiu identificar a presença de cinco homens no pátio central da fazenda, o que alterou a dinâmica da abordagem preventiva prevista inicialmente.
Ao realizarem o contato verbal e a abordagem policial, os militares solicitaram a identificação de todos os presentes. O procedimento padrão de verificação de antecedentes via rádio integrado revelou que dois dos indivíduos que portavam documentos eram alvos de difusões vermelhas da Interpol. A "difusão vermelha" é um pedido internacional de localização e prisão emitido por um país membro baseado em um mandado de prisão válido, solicitando a detenção do indivíduo com vistas à extradição ou a processos jurídicos de caráter transnacional.
Os outros três homens, que não portavam identificação civil no momento, foram submetidos à identificação criminal na própria localidade. A consulta ao sistema revelou que todos eles possuíam antecedentes criminais registrados no âmbito da justiça paraense, embora não estivessem cumprindo mandados de prisão ativos no momento da abordagem. Eles foram detidos em flagrante pelo porte irregular de armas ou pela obstrução do diligenciamento policial, conforme detalhado no Auto de Prisão em Flagrante (APF) lavrado na delegacia local.
Após a constatação dos dados, a coordenação da operação acionou a Polícia Federal, que possui competência constitucional para lidar com crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiros e para o cumprimento de cartas precatórias internacionais. Os dois foragidos da Interpol foram recolhidos à delegacia de Cachoeira do Arari para as formalidades legais iniciais e aguardam o traslado para uma unidade da PF em Belém ou, dependendo da gravidade dos fatos e das condições de saúde, para uma penitenciária federal de segurança máxima.
A descoberta reforça a característica do Marajó como região de trânsito e até refúgio para figuras que buscam se esconder da justiça, dadas as dificuldades logísticas de fiscalização em uma ilha do tamanho de um país como a Suíça, cortada por rios e estradas precárias. A reintegração de posse que motivou a incursão da PM segue agendada, devendo contar com o aparato da Tática de Policiamento Especializado para garantir o cumprimento da decisão judicial sem novos incidentes.
Até o momento desta publicação, a PF não divulgou a nacionalidade dos foragidos nem os países que requisitaram a prisão, preservando o sigilo das investigações em curso. O inquérito para apurar a possível falsificação dos documentos apresentados pelos detidos tramita em segredo de justiça na Vara Criminal da comarca.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



