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Nortícia BoaCena no Sul do Tocantins

Poliana e Leonardo encontram paz no arco-íris do Rio Tocantins

Casal registrou momento de tranquilidade durante passeio de barco em fazenda em Peixe, no sul do estado.

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Padre Bruno Sena
Tocantins · AM
18 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 507 palavras
Barco navegando pelo Rio Tocantins ao entardecer com céu nublado e formatura de arco-íris.
Casal registrou momento de tranquilidade durante passeio de barco em fazenda em Peixe, no sul do est · Foto: Redação Nortícia

Poliana Rocha, 38 anos, leva o celular à altura dos olhos, mas é com o próprio olho que ela tenta capturar o que não cabe na tela. O barco balança suavemente nas águas mansas do Rio Tocantins, perto da cidade de Peixe, no sul do estado. Ao lado dela, o marido, o cantor Leonardo, não está cantando para multidões; ele apenas contempla o entardecer que desenha-se laranja e roxo sobre a mata ciliar. Há uma promessa de chuva no ar, mas o sol insiste em se despedir com beleza.

Eles fugiram dos holofotes para abrigar-se na fazenda da família, um lugar onde o tempo é medido pelo movimento das sombras e não pelos cronogramas da fama. Na embarcação simples, cercados por amigos, o casal se permite ser apenas mais dois admiradores da grandiosidade da natureza que banha o Norte do Brasil. Não há figurino de palco, apenas o conforto das roupas de passeio e o vento que despenteia o cabelo e refresca a pele.

De repente, o céu se abre em cores. Um arco-íris nasce sobre o leito do rio, ponte de luz que parece tocar a água na ponta da visão. Poliana grava, mas a voz dela não é de apresentadora de TV; é o espanto de uma criança ou a gratidão de quem reza sem fechar os olhos. "Olha aqui o arco-íris, que coisa mais linda neste mês de junho, tô achando maravilhoso", ela diz, enquanto a câmera tenta focar o impossível.

O Tocantins tem dessas bondades. Para quem vive o ritmo frenético das capitais ou dos estúdios, o rio oferece um ofício de silêncio. O motor do barco ronca baixo, quase como uma respiração. Eles acabam de ver um boto, aquele guardião mítico das águas amazônicas, que salta e desaparece sem pedir aplausos. A vida ali segue o curso das águas: vai, volta, mas nunca para.

Há também o instinto simples da pescaria. Poliana segura a vara, não com a urgência de quem precisa comer do peixe, mas com a paciência de quem espera o tempo presente. "Vai que dou sorte", escreveu ela, brincando com a sorte que já tinha lhe dado aquele dia inteiro. Não é a pesca o fim, mas o ato de esperar, de estar com as mãos ocupadas e a alma livre.

Nesse cenário, Leonardo não é o "Rei do sertanejo", é um homem que sorri para a esposa e aprecia o fim de tarde. A fama pesa, o dinheiro conta, mas nas águas do Tocantins, no fim das contas, o que sobra é a graça de poder estar ali. É uma forma de oração sem palavras reconhecíveis: agradecer pelo teto de nuvens, pelo chão flutuante do barco, pela companhia.

O vídeo termina, mas a imagem permanece. O barco encosta, o arco-íris desvanece na escuridão que chega devagar, trazendo o frescor da noite tropical. Eles descem, risos abafados, o peso do mundo que deixaram na margem trazido de volta agora mais leve. O rio continua correndo, sem saber que foi cenário para eles, sabendo apenas que é água e vida.

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◆ Repórter · Nortícia Boa

Padre Bruno Sena

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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