Polícia investiga morte de padrasto e enteada em incêndio em Araguaína
Corpos de Ivano Vaz Cunha e Laiane Cardoso Noleto foram encontrados carbonizados. Investigação aponta vestígios de combustível no local.
A Polícia Civil do Tocantins, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), investiga as causas de um incêndio que resultou na morte de duas pessoas na manhã desta quarta-feira (3), em Araguaína. As vítimas foram identificadas como Ivano Vaz Cunha, 49 anos, e sua enteada, Laiane Cardoso Noleto, 19 anos. Os corpos foram encontrados carbonizados no interior de uma residência no Setor São João, na região norte do município.
Segundo informações preliminares do BO (Boletim de Ocorrência) registrado pela equipe de perícia, foi localizado um galão com vestígios de gasolina próximo aos corpos. As vítimas estavam sem vestimentas na parte inferior do corpo. A linha de investigação principal aponta para a ocorrência de um crime de feminicídio seguido de ocultação de cadáver mediante incêndio. Não havia outras pessoas no domicílio no momento do fato.
Levantamentos junto ao banco de dados do Tribunal de Justiça indicam que Ivano Vaz Cunha integrava o sistema prisional em decorrência de outros crimes violentos. Documentos judiciais mostram que, em 2009, ele foi condenado pelos crimes de estupro e homicídio qualificado contra outra enteada, então com 13 anos, no município de Barra do Garças (MT). Na ocasião, o processo evidenciou que a vítima, menor de idade, residia sob a tutela do réu, e a denúncia do Ministério Público daquele estado apontou violência doméstica e abuso de confiança. Ivano foi sentenciado à pena de 24 anos e 6 meses de reclusão.
O histórico criminal de Ivano, conforme apurado pela DHPP, remonta ainda a 2007. Naquela ocasião, ele respondeu por homicídio culposo na direção de veículo automotor em Araguaína. De acordo com a sentença, o réu, que atuava como motorista de caminhão, envolveu-se em um atropelamento fatal no Setor JK. A condenação foi transitada em julgado, com substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
A investigação atual tenta estabelecer se o histórico de violência doméstica e contra a mulher praticado por Ivano em outros estados se repetiu no contexto familiar no Tocantins. A polícia busca também entender como ele estava residindo com a nova enteada, considerando as restrições legais impostas em condenações por crimes contra vulneráveis. A atuação da DHPP concentrou-se, nas primeiras 24 horas, na oitiva de vizinhos e familiares. Moradores relataram não ter ouvido discussões audíveis antes do início do incêndio.
Peritos do Instituto de Criminalística (IC) analisam o material coletado na cena do crime para confirmar a presença de acelerante de combustão e determinar o ponto de origem do fogo. Os corpos foram encaminhados ao Instituto de Medicina Legal (IML) para realização de necropsia, que deve atestar a causa mortis e se houve trauma físico prévio às queimaduras. O laudo de local de crime deve apontar a concentração de gases inflamáveis e a temperatura alcançada.
O inquérito policial tramita sob sigilo na 1ª Vara Criminal de Araguaína. A investigação segue para apurar a autoria e a materialidade dos delitos, aguardando os laudos técnicos finais para a conclusão do inquérito e subsequente relatório ao Ministério Público. Procurada, a família da vítima Laiane Cardoso Noleto não quis se manifestar sobre o histórico criminal de Ivano, mas confirmou que a jovem vivia na casa há cerca de dois anos.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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