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Prazo do Imposto de Renda 2026 termina com recorde de contribuintes no Amazonas

Receita Federal espera 497,8 mil declarações no AM, alta de 1,8% sobre 2025; multa mínima para atrasados é de R$ 165,74.

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Renato Lobo
Amazonas · AM
29 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 678 palavras
Calendário digital exibindo a data final de entrega da declaração do Imposto de Renda.
Receita Federal espera 497,8 mil declarações no AM, alta de 1,8% sobre 2025; multa mínima para atras · Foto: Redação Nortícia

A Receita Federal projeta 497.801 declarações do Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025) no Amazonas — um crescimento de 1,8% em relação ao ano anterior, um indicador que sinaliza tanto a formalização do mercado de trabalho regional quanto o efeito do "arrasto de alíquota" sobre a massa salarial. O prazo para entrega encerra-se nesta sexta-feira (29), e o número supera as 489.115 declarações entregues em 2025.

Para dimensionar o fenômeno: enquanto o crescimento da base de contribuintes no Amazonas acompanha a média nacional, a estrutura de renda na região Norte ainda apresenta uma concentração menor de declarantes com patrimônios acima de R$ 10 milhões se comparada ao Sudeste. Segundo dados históricos da Receita, o perfil do contribuinte amazonense é majoritariamente assalariado ou pensionista, com menos declarações compostas por rendimentos de capital (dividendos e juros sobre capital próprio). Isso significa que a arrecadação no estado é mais sensível às oscilações do mercado de trabalho formal do que à volatilidade da bolsa de valores.

O aumento na projeção de declarantes, contudo, nem sempre representa um aumento de renda real. Economistas apontam que a tabela progressiva do Imposto de Renda não é corrigida pela inflação desde 2015. Com isso, trabalhadores que receberam reajustes salariais meramente inflacionários acabam migrando para faixas de tributação mais altas, pagando mais imposto mesmo sem ter ganhado poder de compra real. No Amazonas, onde o custo de vida — especialmente o de cesta básica e energia — é mais elevado que a média nacional devido aos fatores logísticos, esse congelamento da tabela impacta de forma mais agressiva a classe média baixa.

Outro ponto de atenção é a fiscalização. Em 2025, a malha fina reteve 15.413 declarações apenas no Amazonas. O principal motivo continua sendo a omissão de rendimentos, seguida por divergências nos informes de fontes pagadoras e deduções indevidas de dependentes. A Receita Federal utiliza o cruzamento de dados com informações de bancos, cartórios e empregadores. "O erro mais comum não é a fraude dolosa, mas o esquecimento de rendimentos isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, como rescisões contratuais ou ganhos em apostas", explicam auditores-fiscais. Para o contribuinte, cair na malha significa ter a restituição atrasada e, se comprovado o erro, pagar multas sobre o valor devido.

O custo do atraso na entrega também é um fator econômico relevante. A multa mínima é de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido. No contexto atual, esse valor representa uma fatia expressiva do orçamento doméstico: equivalente a mais de 10% de um salário-mínimo, ou aproximadamente o custo de 25 quilos de arroz em Manaus. Para microempreendedores individuais (MEIs) e autônomos, que compõem uma fatia crescente da economia informal que busca formalização, essa despesa adicional pode comprometer o fluxo de caixa mensal.

Há também uma expectativa de mudança estrutural para o futuro. A proposta de isenção para quem ganha até R$ 5 mil — tema central das disputas legislativas em 2025 — ainda não vigorou para este exercício. A promessa de implementação para 2027 gera incerteza fiscal. Se aprovada, a medida desoneraria uma parcela significativa da mão de obra amazonense, aumentando a renda disponível para consumo local. Contudo, especialistas da UFAM alertam que, sem um gasto público concomitante, a perda de arrecadação pode impactar investimentos em infraestrutura regional, cruciais para reduzir o Custo Brasil no interior do estado.

Para quem vai entregar na última hora, a recomendação técnica é a revisão minuciosa dos informes de rendimento e das deduções de saúde e educação. O sistema da Receita costuma ficar instável nas horas finais, o que aumenta o risco de erros de transmissão. O impacto econômico local da restituição, que começa a ser paga em lotes a partir de junho, é tradicionalmente um fator de aquecimento do comércio varejista no estado, injetando recursos que foram retidos na fonte ao longo do ano anterior.

A próxima etapa do calendário fiscal, após o encerramento do prazo, será a divulgação das primeiras listas de malha fina em junho. Enquanto isso, o contribuinte amazonense deve se organizar para garantir que o dinheiro retorne ao bolso o mais rápido possível, fomentando o consumo interno.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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