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Primeira Descida de Boia do Rio Acre reúne 60 nadadores em Rio Branco

Organizada pela Semue, prova uniu lazer e competição em percurso de duas horas entre a ETA II e o Porto da Base, com apoio do Corpo de Bombeiros.

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Karina Pinheiro
Acre · AM
30 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 633 palavras
Grupo de pessoas em boias infladas flutuando no rio barrento cercado de vegetação ciliar em Rio Branco.
Organizada pela Semue, prova uniu lazer e competição em percurso de duas horas entre a ETA II e o Po · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de terra molhada sobe forte quando o sol começa a apertar em cima da barra do Rio Acre. Sábado (30), por volta das 8h da manhã, esse aroma amazônico se misturava ao látex de dezenas de boias coloridas inflando na beira da Estação de Tratamento de Água (ETA II). Era ali, na saída da zona sul de Rio Branco, que 60 pessoas se preparavam para fazer algo inédito na cidade: entregar o corpo à correnteza e deixar o rio ditar o ritmo da manhã.

Não era uma competição de piscinas cloradas, com raias demarcadas e cronômetros milimetrados. Era a primeira Descida de Boia do Rio Acre, um evento que mistura a brincadeira de criança com o esforço físico de quem entende que a água é um caminho, não um obstáculo. Organizada pela Secretaria Municipal de Esportes (Semue), a prova desenhou um novo mapa de lazer na capital, levando os atletas — ou melhor, os aventureiros — de um ponto de captação de água até o coração histórico da cidade, o Porto da Base.

Entre os participantes estava o motoboy Edson Costa, 32 anos. Chegou cedo, boia debaixo do braço, canguru cheio de protetor solar e água. "A gente sempre vê o rio de cima da ponte ou de carro, mas nunca entra", disse ele, ajustando o colete salva-vidas laranja, obrigatório para todos. Edson nasceu em Rio Branco, mas, como muitos acreanos, tinha um relacionamento distante com oRio Acre. Sábado foi o dia de reconciliação.

A preparação foi um ritual de comunidade. A Semue abriu 50 vagas, mas a demanda foi tanta que acabaram liberando mais 10. Lado a lado, estavam jovens treinadores de natação, senhores que só querem refrescar e famílias inteiras que levaram os filhos para assistir da margem. O percurso, estimado em cerca de 5 quilômetros, não é uma linha reta; é um desenho feito pela curva do rio, exigindo um pouco de técnica de braçada para não ir parar na margem ou nos galhos das árvores que beijam a água.

A segurança era o envelopo de toda essa alegria. Equipes do Corpo de Bombeiros do Acre (CBMAC) navegavam em lanchas de suporte, prontos para qualquer imprevisto. "O rio é traiçoeiro para quem não respeita, mas hoje a gente tá aqui pra garantir a paz", explicou o sargento Andrade, da equipe de salvamento aquático. A presença dos bombeiros dava o tom de confiança necessário para que o medo virasse coragem.

Largaram por volta das 8h30. O som da sirene inicial foi abafado pelo barulho das mãos batendo na água e das risadas. O percurso durou cerca de duas horas e dez minutos. É muito tempo sob o sol, mas o contato constante com a água alivia o calor. Flutuando de barriga para cima, os participantes viam o céu escorregar e a cidade mudar de perspectiva. O asfalto das avenidas dá lugar ao verde da mata ciliar e ao marrom profundo da água que corta o estado.

A chegada ao Porto da Base foi festa. Quem chegava mais rápido parava na margem e torcia para os amigos que vinham atrás. Não teve ouro, prata ou bronze. Teve abraço, foto de grupo e a certeza de que o esporte em Rio Branco pode sair um pouco do concreto. A descida mostrou que o rio não é só um cartão postal ou um problema de saneamento; ele é um lugar de encontro.

A Semue não deu datas para a próxima edição, mas o sucesso dessa primeira aponta para um novo hábito. Quem sentiu saudade de não ter ido pode ficar de olho no calendário da secretaria. A próxima descida deve acontecer no mesmo trecho, exigindo apenas fôlego e uma boa boia. É a chance de ver Rio Branco de outro ângulo, lá de baixo, com os pés molhados e o espírito leve.

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◆ Repórter · Nortícia Esporte

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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