PSTU anuncia pré-candidatura de Gilberto Vasconcelos ao Governo do Amazonas em 2026
Professor e sindicalista Gilberto Vasconcelos é confirmado como pré-candidato pelo PSTU, com Juliana Frota na vice para disputar o Palácio Rio Negro em 2026.
O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) oficializou neste domingo a pré-candidatura de Gilberto Vasconcelos ao Governo do Amazonas para o pleito de 2026. A vaga de vice na chapa foi ocupada por Juliana Frota, servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas.
A antecipação do nome marca a abertura do calendário eleitoral estadual com uma proposta situada à esquerda do espectro político, buscando dialogar com o descontentamento das categorias de base. A escolha acontece ainda em 2026, antes do período oficial de convenções partidárias, para garantir tempo de formação de agenda.
Gilberto Vasconcelos, 59 anos, é professor da rede municipal de ensino de Manaus e integra a coordenação estadual da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas). Sua trajetória está ligada à mobilização de servidores públicos e às greves do setor educacional. O pré-candidato traz como eixo central o combate à desigualdade social, utilizando o modelo econômico do Polo Industrial de Manaus (PIM) como contraponto.
“O Amazonas é um dos estados mais ricos do país, mas segue marcado pela desigualdade. O Polo Industrial de Manaus produz muita riqueza, mas a classe trabalhadora não tem acesso a ela. Essa realidade precisa mudar”, afirmou Vasconcelos em ato de lançamento. O discurso ataca a concentração de renda gerada pelos incentivos fiscais da Zona Franca, argumentando pela ampliação do investimento em serviços públicos.
A composição da chapa busca aliar experiência sindical com renovação. Juliana Frota, de 34 anos, é formada em Direito pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Sua inclusão visa atrair o voto jovem e fortalecer a pauta de segurança institucional e direitos humanos, áreas de atuação da vice no TJAM.
A candidatura do PSTU enfrenta o desafio matemático da cláusula de barreira e da exigência de desempenho eleitoral para maintimento do fundo partidário. Nas últimas eleições, a legenda não elegeu representantes no Executivo ou Legislativo estadual, o que limita o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Para superar isso, a estratégia depende da mobilização de rua e da articulação com movimentos sociais.
Vasconcelos não é estreante em disputas majoritárias. Em 2014, ele concorreu ao cargo de vice-governador na tentativa de consolidar uma frente de esquerda. Quatro anos depois, em 2016, disputou uma vaga na Câmara Municipal de Manaus, sem êxito. A nova candidatura surge em um cenário de realinhamento das forças políticas locais pós-governo Amazonino, com os partidos grandes ainda em negociações de alianças.
O calendário eleitoral prevê que as convenções partidárias para a escolha formal de candidatos ocorram entre 5 de agosto e 16 de setembro de 2026. Até lá, o PSTU foca na estruturação do comitê de campanha e na definição do plano de governo, que deve ter como pilares a revisão dos incentivos fiscais e a reforma da gestão da saúde pública estadual.
A disputa pelo Palácio Rio Negro em 2026 promete ser acirrada, com possível polarização entre as forças que sustentaram o governo anterior e as oposições de centro e de esquerda. A pré-candidatura de Vasconcelos antecipa a discussão sobre o modelo de desenvolvimento do estado, tensionando a agenda em torno da distribuição de royalties do petróleo e da aplicação de verbas federais.
Eliana Castro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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