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Nortícia AmazôniaSemana do Meio Ambiente

Sob fumaça antecipada, Rio Branco lança plano de combate a queimadas

Capital do Acre inicia programação de conscientização enquanto pluviosidade baixa e risco de incêndios urbanos aumenta no início da estiagem.

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Bianca Aroucha
Acre · AM
02 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 604 palavras
Vista da ponte Velha em Rio Branco sob céu nublado por fumaça de queimadas no início da manhã.
Capital do Acre inicia programação de conscientização enquanto pluviosidade baixa e risco de incêndi · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de fumaça chega antes do tempo da queimada oficial. Na orla do Rio Acre, bem atrás do Mercado Velho, D. Tereza varre a calçada e para a vassoura no meio da rua para enxergar a ponte, que desaparece pouco a pouco numa névoa acinzentada que não é neblina da manhã, nem é o cerramento de uma chuva rápida. É fogo. E é junho, mês que antigamente pertencia às águas.

Rio Branco acorda nesta segunda-feira (1º) com o céu carregado e o ar pesado, antecipando uma estiagem que o calendário da floresta ainda não havia assinado, mas que o termômetro já confirmou. É sob este céu opaco que começa a Semana do Meio Ambiente 2026, convocada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia) não para celebrações passivas, mas para um debate urgente sobre a sobrevivência urbana em um bioma que está secando. O tema escolhido, "Pelo Clima: Cada Ação Conta", soa menos como um slogan festivo e mais como um aviso de perigo.

No Bosque da Cidadania, um dos pulmões verdes que restam na malha urbana da capital, grupos de alunos da rede pública caminham pelas trilhas interpretativas. Lucas, de 14 anos, morador do bairro Conquista, para diante de uma sumaumeira jovem e escuta com atenção o monitor explicar como a umidade da floresta regula o clima da cidade. Ele confessa, com o rosto suado de um sol que já bate forte às nove da manhã, que em casa a realidade é outra. "Lá no meu quintal o chão já está rachando", conta Lucas. "Meu pai tinha queimado o lixo domingo e o fogo quis subir no muro do vizinho, foi perrengue para apagar."

A experiência de Lucas é o microcosmo de um problema macro que o novo Plano de Prevenção e Combate às Queimadas, lançado nesta semana pela Semeia, tenta mapear e conter. A capital do Acre, situada no bioma Floresta Estacional, vive uma paradoxal tensão: cercada por biomassas florestais densas, seu perímetro urbano é um mosaico de áreas desmatadas, lotes baldios e ocupações onde o manejo do fogo é muitas vezes desastroso. O calor urbano somado ao fogo rural cria uma atmosfera irrespirável nos meses de julho a setembro.

Dados do INPE e do monitoramento climático local já indicam anomalias de temperatura para este inverno amazônico, com ausência de frentes frias que poderiam umidificar o ar. A conexão entre o desmatamento no entorno de Rio Branco e a redução das chuvas na cidade é direta, explicam os técnicos da Defesa Civil Municipal, parceira no plano. Sem a floresta em pé para transpirar, o ciclo da água se rompe, e o solo se torna um pavio pronto para pegar fogo.

É neste cenário que Flaviane Stedille, secretária municipal de Meio Ambiente, detalha as ações do novo plano. Não é apenas sobre punir, embora as autuações continuem. O foco mudou para a inteligência territorial: monitoramento por satélite aliado às equipes de campo, fiscalização nos pontos críticos da cidade e um trabalho pesado de educação ambiental nas escolas e comunidades. "Não adianta apenas combater o incêndio quando ele está grande, é preciso impedir que a faísca caia", resume a estratégia que guiará a programação até sexta-feira (5).

De volta à orla do Rio Acre, D. Tereça termina a varredura. Ela vê um caminhão da Semeia passar com a inscrição da Semana do Meio Ambiente pintada na lataria. Ela não sabe os detalhes técnicos do plano de combate, mas sabe que precisa de chuva e precisa de consciência. Ela dobra a vassoura, olha mais uma vez para a ponte quase invisível, e reza para que a educação fale mais alto que o fogo este ano.

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◆ Repórter · Nortícia Amazônia

Bianca Aroucha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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