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Praça da Revolução vira arquibancada com telão e bloco de Carnaval para jogo do Brasil

Projeto reúne torcedores na capital acreana com transmissão de Brasil x Haiti e show do Bloco Sem Limite antes da bola rolar.

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Karina Pinheiro
Acre · AM
19 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 745 palavras
Torcedores vestidos de verde e amarelo se aglomeram em frente ao telão na Praça da Revolução ao entardecer.
Projeto reúne torcedores na capital acreana com transmissão de Brasil x Haiti e show do Bloco Sem Li · Foto: Redação Nortícia

O tambor do Bloco Sem Limite martela o peito antes do apito inicial. Na Praça da Revolução, no centro de Rio Branco, o asfalto ainda guarda o calor acumulado do dia, mas a sombra das mangueiras já começa a ser disputada por dezenas de cadeiras de plástico e bandeiras que se estiram no ar como espantalhos coloridos. O cheiro de cerveja gelada se mistura ao vapor que sobe dos carrinhos de milho verde e churrasco, anunciando que a noite não será de descanso. Em vez disso, a praça volta a ser a sala de estar gigante do Acre, um lugar onde o suspiro coletivo por um gol ou o grito de ataque ecoam contra as fachadas antigas do centro.

Não é apenas uma transmissão de futebol; é o ritual coletivo de uma cidade que se conecta com o resto do mundo através de uma bola. Nesta sexta-feira (19), o Projeto Rio Branco Torce Junto transforma o espaço urbano em um ponto de encontro obrigatório, uma arquibancada a céu aberto onde o preço da entrada é apenas o entusiasmo. A iniciativa, que nasce da parceria entre a Rede Amazônica Acre e a Prefeitura, entendeu que no Norte torcer é um ato de comunidade. A solidão da TV da sala deixa de existir em favor do abraço desconfortado no aperto da multidão.

Dois rapazes, Márcio e Cleiton, estendem a toalha xadrez no canto gramado desde as 16h. "Trazemos o isopor desde o bairro, não confiamos no gelo da praça", conta Márcio, passando a mão na testa suada enquanto ajusta a camisa amarela 10, já gasta de tantos jogos. Eles não perdem a estreia da Seleção em casa desde 2002. A tradição que um dia era no quintal da avó, migrou para o bar da esquina e agora ocupa, com orgulho, o cartão postal da cidade. É a migração da torcida: o espaço físico muda, mas a ansiedade antes do pontapé inicial permanece a mesma, latente e contagiosa.

À medida que o sol se põe atrás da Catedral Nossa Senhora das Dores, a iluminação da praça dá o tom de palco. A genialidade da programação está no equilíbrio entre a tensão tática do futebol e a alegria anterior, almost cúmplice. Antes que Neymar ou Vinícius Jr. toquem na bola no estádio distante, o clima do gramado acreano é de samba e maracatu. O Bloco Sem Limite sobe ao palco montado às 18h para animar a multidão, lembrando que no Acre a festa não precisa esperar o resultado da partida para acontecer. É um carnaval fora de época que serve de aquecimento, tanto para as pernas que vão dançar quanto para as gargantas que vão gritar "Brasil".

A estrutura montada é simples, mas eficiente para o que propõe: um telão gigante que reproduz cada movimento em alta definição, enquanto a sonorização da Rede Amazônica garante que os comentaristas sejam ouvidos por todos, mesmo aqueles que preferem ficar nos bancos mais distantes, conversando e mantendo um olho na jogada. Às 19h30, a expectativa atinge o ápice. O silêncio que se forma nos segundos que antecedem o início da partida é pesado, um manto que cai sobre os oito mil lugares da praça. É um silêncio eletrizante, quebrado apenas pelo zunido dos vespões e pelo roçar das bandeiras.

Brasil x Haiti é o mote, mas o espetáculo é a reação da cidade. Cada drible do time brasileiro provoca ondas de "oohs" que se espalham como vento; cada chute na trave é um suspiro que parece esvaziar os pulmões de todo o Acre de uma só vez. Na frente do telão, as crianças sentam no chão, hipnotizadas pelas cores que mudam na tela, enquanto os pais formam uma barreira humana ao redor, protegendo e incentivando a nova geração de torcedores. É ali, no meio do suor e do barulho, que a identidade nacional se reforça com sotaque local.

O encontro na Praça da Revolução é gratuito, democrático e pede apenas uma coisa: que a camisa da Seleção seja usada com o orgulho de quem torce longe do eixo Rio-São Paulo, mas com a mesma intensidade. A programação começa às 17h, com o bloco subindo ao palco às 18h e o jogo começando às 19h30. Não faltam cadeiras para quem chegar cedo, e o convite é claro: venha sentir o frio na barriga junto. Se o Brasil ganhar, a festa é certa; se perder, o abraço coletivo será o consolo. Em Rio Branco, o jogo é apenas a desculpa perfeita para nos encontrarmos.

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◆ Repórter · Nortícia Esporte

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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