São João 2026 no Pará: programação oficializa Parárraiá e arraiais na região
Belém e região metropolitana preparam arraiais, shows e concursos de quadrilha para junho, incluindo a terceira edição do Parárraiá no Mangueirão.
O cheiro de espiga queimada já subiu para o nariz. É aquele sinal inconfundível de que junho chegou e o Pará inteiro começa a se vestir de xadrez e lantejoula. Em 2026, a festa não é só promessa de véspera: o calendário oficial de São João já está na rua, misturando o forró eletrônico do estádio com a quadrilha de comunidade no interior. O mês é consagrado ao milho, à fogueira e à sanfona, e as cidades paraenses já postaram os convites.
O grande marco é o Parárraiá. Considerado o maior arraial a céu aberto do estado, o evento chega à terceira edição decidido a lotar o estacionamento do estádio Mangueirão. Nos dias 5 e 6 e nos dias 12 e 13 de junho, o gramado cede lugar ao pó de tantã. Nomes como Mari Fernandez e Henrique e Juliano prometem aquecer a noite, mas o show de verdade é o público: milhares de paraenses formando a maior roda de São João da capital. O portão abre às 18h, e o forró só vai descansar na madrugada.
Quem prefere a tradição mais arraigada da cidade espera pelo Arraial de Belém. De 17 a 29 de junho, a programação é um respiro de cultura popular. O foco aqui não é apenas o show de luzes, mas o concurso de quadrilha. São grupos que passam o ano ensaiando o passo, a dramaturgia, o figurino feito à mão. É o teatro popular ocupando as ruas, contando histórias de matuto com a dignidade de quem entende a roça. O evento espalha barracas de comidas típicas e promove o encontro de gerações ao redor da fogueira.
A festa não se prende aos limites da ilha de Belém. A região metropolitana se espalha em celebrações. Benevides, Santa Izabel do Pará e Santa Bárbara do Pará acendem as fogueiras e preenchem as praças. Nessas cidades, o São João tem gosto de interior: o milho é mais doce, o arroz-doce tem mais canela e a quadrilha tem o chão de terra batido mesmo que seja no asfalto da cidade. É nessas festas que se encontra a alma junina que foge dos holofotes da televisão, feita de som de rádio e cheiro de pólvora.
Para se preparar, vale calçar a bota confortável e guardar espaço no estômago. Não há São João no Pará sem a promessa de comer pamonha, curau e bolo de macaxeira. A culinária é a verdadeira anfitriã da festa. É o momento de provar o munguzá quente, sentir o gosto do gengibre e deixar a canela descer suave pela garganta enquanto fogos de artifício estouram lá no alto, iluminando o céu nublado típico da época.
O convite é para ir de roupa caipira, mas de coração aberto. A data é uma das poucas que suspende a correria da Belém moderna para colocar todo mundo na mesma cadência de sanfona e zabumba. A dica é chegar cedo, garantir um lugar próximo aos fogos e deixar o chão ditar o ritmo.
A primeira parada da programação é no Mangueirão, dia 5 de junho, a partir das 18h. O ingresso já está em venda antecipada e promete esgotar rápido. Leve o chapéu, a disposição e, claro, a fome de tradição.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



