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Semana do Clima da Amazônia une bioeconomia e saúde em Belém

Entre 29 de junho e 4 de julho, a capital paraense recebe debates sobre transição energética e adaptação em territórios.

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Bianca Aroucha
Pará · AM
08 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 532 palavras
Pessoas caminham pelo Parque de Bioeconomia ao entardecer em Belém.
Entre 29 de junho e 4 de julho, a capital paraense recebe debates sobre transição energética e adapt · Foto: Redação Nortícia

O sol do meio-dia incide sobre as águas barrentas da baía do Guajará, em Belém, e reflete no vidro do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia. É na sombra desse edifício, que se propõe a ser uma ponte entre o conhecimento tradicional da floresta e a inovação científica, que a cidade se prepara para receber, entre os dias 29 de junho e 4 de julho, a segunda edição da Semana do Clima da Amazônia. Não é apenas uma agenda de eventos urbanos; é um momento em que as vozes que vivem o clima — e não apenas aqueles que o estudam em laboratórios — buscam eco na capital do Pará.

Belém respira este momento. A programação promete mais de 50 atividades, mas o número importa menos do que o território que elas pretendem alcançar. O foco anunciado é bioeconomia, saúde e justiça climática, três eixos que, se separados na teoria, se entrelaçam na vida de quem bebe da água do rio, de quem depende da floresta em pé para o sustento ou de quem sofre com as novas doenças que o calor excessivo traz. A ideia é descentralizar o debate, tirá-lo dos palanques exclusivos e levá-lo para espaços como o Instituto Tecnológico Vale, a Afya Belém e o Cesupa, além das salas virtuais que conectam a cidade com o interior profundo da floresta.

Entre os eventos autogestionados, que correm de 1º a 4 de julho, destaca-se a série "ABC do Clima e Saúde", promovida pela Afya. É aqui que a ciência médica encontra a realidade do ribeirinho. O debate sobre prevenção de doenças relacionadas ao clima não é abstrato para as comunidades que veem o ciclo das águas se alterar, trazendo mosquitos onde antes não havia e secando poços que nunca secaram. A alimentação, a adaptação e a própria ideia de saúde pública serão postas à prova sob a ótica da floresta.

A transição energética em terras indígenas também entra na pauta, ponto nevrálgico para garantir que a luz chegue sem abrir cortes na terra. A sociobioeconomia é apresentada não como um conceito de mercado, mas como estratégia de sobrevivência e autonomia para os povos da floresta. Empresas, institutos de pesquisa e coletivos amazônicos se sentam à mesma mesa para tentar desenhar uma infraestrutura que respeite o ciclo das águas e das árvores.

A cidade, que é hoje o maior portão de entrada e saída da Amazônia, se transforma em laboratório a céu aberto. A proposta da Semana do Clima é conectar essas soluções, muitas vezes nascidas isoladas em canoas ou em laboratórios de universidades, às realidades dos territórios. A justiça climática, tema que atravessa todas as mesas, pede que o sofrimento de quem mais emitiu carbono não recaia sobre quem mais protege a floresta.

Quando o entardecer baixar sobre Belém e os painéis se encerrarem, o que fica é a expectativa de que as discussões ecoem rio abaixo. Que as decisões tomadas na margem esquerda da baía consigam chegar, sem perder a força, às aldeias do Xingu, às comunidades do Marajó e aos seringais do Acre. O clima muda, sim, mas a floresta, como os antigos dizem, também tem suas respostas, desde que se tenha paciência e ouvidos para escutá-las.

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◆ Repórter · Nortícia Amazônia

Bianca Aroucha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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