Servidora cobra Justiça por dores após laqueadura em Roraima
Após laqueadura em Boa Vista, mulher de Mucajaí sofre com lesão em nervo e luta na Justiça para conseguir cirurgia reparadora.
Elizana da Silva, 42 anos, ajusta a almofada na cadeira do escritório onde trabalha como servidora em Mucajaí, no sul de Roraima. A viagem de 195 quilômetros até a capital, Boa Vista, que antes era rotina, virou um suplício. Desde janeiro de 2024, ela convive com dores constantes na parte superior da coxa esquerda. O incômodo começou logo após uma cirurgia de laqueadura realizada na Maternidade Nossa Senhora de Nazareth.
O diagnóstico veio depois: uma lesão no nervo genitofemoral. É uma estrutura que passa pelo abdome e desce pela coxa, responsável pela sensibilidade da região. Para Elizana, o que era para ser um procedimento contraceptivo simples virou um obstáculo físico e profissional. "A lesão mexeu em tudo, alterou minha rotina, alterou minha vida, alterou minha saúde", relata a servidora. No trabalho, ela precisou adaptar a jornada e o mobiliário para conseguir sentar durante o expediente.
Sem resolver o problema na rede pública, Elizana recorreu à Justiça. Ela pede que o Estado de Roraima arque com os custos de uma cirurgia reparadora em uma clínica particular. A ação corre na 1ª Vara da Fazenda Pública de Boa Vista. Na última semana, porém, o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) negou o pedido de tutela de urgência. Segundo informações do tribunal, a decisão foi tomada após análise técnica dos autos, sem comentar o mérito da investigação sobre suposta negligência.
A realidade dos pacientes do interior do estado que precisam de média e alta complexidade é essa: a viajem até Boa Vista. A Maternidade Nossa Senhora de Nazareth é a principal referência para partos e procedimentos ginecológicos do SUS em Roraima. Elizana conta que não recebeu acompanhamento específico para a dor pós-operatória na unidade e que o agravamento do quadro a levou a buscar ajuda juridicial.
O governo de Roraima e a Secretaria de Saúde (Sesau) foram procurados para falar sobre o atendimento na maternidade e sobre o processo da servidora. Até o fechamento desta matéria, a pasta não retornou o contato. Em notas em processos semelhantes, a defesa do estado costuma alegar falta de leitos ou de especialistas para realizar determinados procedimentos eletivos na rede pública.
Enquanto a decisão da Justiça não sai, a rotina de Elizana segue limitada. O uso de analgésicos tornou-se diário. Ela aguarda uma nova audiência ou a realização dos exames periciais solicitados pela defesa para tentar reverter a negativa da tutela.
Pacientes que enfrentam complicações pós-cirúrgicas no SUS em Roraima podem registrar reclamações na Ouvidoria Geral do Estado. O atendimento é presencial na sede da Sesau, em Boa Vista, ou pelo telefone 162. Denúncias sobre negligência também podem ser feitas no Conselho Regional de Medicina (Cremerr) e no Ministério Público Estadual.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



