Embaixadores discutem democracia digital e IA em encontro virtual no Amapá
Primeira reunião virtual do projeto reuniu representantes de seis estados do Norte para debater tecnologia e valorização regional.
João Pedro da Silva, 28 anos, estudante de Ciência da Computação na Universidade Federal do Amapá (Unifap), ajustou o microfone fone de ouvido na sala de casa, no bairro Jesus Me Deu, zona sul de Macapá. Eram 14h em ponto desta terça-feira (2) e a tela do seu notebook já exibia quase três rostos espalhados por outros cinco estados da região Norte. Ele não estava entrando em uma aula remota, mas na primeira reunião oficial dos Embaixadores do projeto Amazônia Que Eu Quero.
O encontro, conduzido de forma virtual pela Fundação Rede Amazônia, tinha uma pauta que parecia saída de um filme de ficção científica, mas que é a realidade urgente do comércio e da política nos bairros de Macapá: democracia na era digital e inteligência artificial aplicada às empresas locais. João Pedro, que foi convidado como representante estudantil, diz que a discussão veio em boa hora.
"A gente fala muito de Amazônia preservada, mas esquece que a gente precisa preservar também a voz da gente na internet. Se a gente não dominar essas ferramentas, como IA e segurança digital, a Amazônia vira só um pote de ouro para quem está fora, e não para quem vive aqui", argumentou João Pedro durante a sessão de debates, que durou pouco mais de uma hora.
A mesa de conversas foi mediada por Cláudia Daou, presidente da Fundação Rede Amazônica. Do outro lado da tela, ela coordenou as falas de empresários, líderes de classe e representantes de entidades que aceitaram o desafio de serem voluntários. O objetivo é claro: fortalecer institucionalmente a região usando a própria tecnologia que muitas vezes falta no interior.
"A valorização da Amazônia como patrimônio estratégico e cultural passa por estarmos conectados e organizados. O papel do embaixador é justamente esse: levar a discussão qualificada para o WhatsApp do comerciante, para a reunião de pais na escola", afirmou Cláudia Daou, ao abrir o microfone para o público do Amapá.
Além da política, o toque comercial chamou atenção de Ana Paula Souza, dona de uma pequena agência de marketing no centro de Macapá e uma das embaixadoras convidadas. Para ela, o debate sobre inteligência artificial não é teórico, é questão de sobrevivência no mercado local. "Eu precisei aprender a usar ferramentas de IA para atender meus clientes no Bug neighborhood e no Buritizal com mais rapidez. O encontro de hoje foi para entender que isso não é coisa de outro mundo, é ferramenta de trabalho", explicou Ana Paula.
O projeto Amazônia Que Eu Quero não é novo na rua. Nos últimos meses, a iniciativa mobilizou estudantes em Macapá para construir soluções de políticas públicas. A diferença desta terça-feira foi o alcance: saiu do diálogo presencial para o alcance digital, integrando Acre, Rondônia, Roraima e outros estados no mesmo canal.
Entre os pontos levantados pelos embaixadores, a segurança eleitoral apareceu como uma das maiores preocupações para o ciclo eleitoral que se avizinha. A ideia é que os voluntários atuem como multiplicadores da informação correta, combatendo fake news com dados técnicos sobre a região.
O próximo passo já está na agenda. Nos próximos dias, a Fundação deve dividir os embaixadores em comitês temáticos por estado. No Amapá, a previsão é que o foco seja o acesso à banda larga e a formação profissional em tecnologia para jovens das periferias. Enquanto os comitês não saem, o trabalho continua individualmente, na base do convite pessoal e da conscientização.
Quem tiver interesse em acompanhar as ações do projeto Amazônia Que Eu Quero ou saber como se tornar um voluntário no Amapá pode acessar o portal oficial da Fundação Rede Amazônica ou procurar a coordenação local nos blocos da Unifap.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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