Sobrevivente de queda de ponte em Sena Madureira faz exames em Rio Branco
Após desabamento em Sena Madureira, autônomo sentiu dores e realizou check-up preventivo no Hospital João Câncio, em Rio Branco.
Weverton da Silva Murieta, 34 anos, pegou a estrada cedo. A viagem de Sena Madureira até Rio Branco leva cerca de quatro horas pela BR-364, mas o destino dele na manhã desta segunda-feira (8) não era turismo. O autônomo dirigiu-se direto para o Hospital João Câncio Fernandes, na Zona Sul da capital acreana. Ele sentia uma dor de cabeça que não passava desde a noite de sexta-feira (5), quando a ponte de madeira onde ele pisou abriu a boca e o jogou no Rio Iaco.
"Ele tá com dor, tá com medo de ter batido a cabeça lá no fundo", conta o primo Junior Fernandes Murieta, de 50 anos, que acompanhou Weverton na ida à capital. O susto foi gigante. A Ponte Frei Paolino Baldassari desabou por volta das 19h30 com quatro pessoas em cima. O local já era sinalizado como perigoso desde a quinta-feira (4), mas o bloqueio com fitas amarelas e placas não foi suficiente para deter o fluxo de moradores e mototaxistas que usavam aquele atalho para reduzir o tempo de percurso.
Na unidade de saúde de Rio Branco, a equipe médica agiu rápido. Devido ao relato de trauma e ao período de recuperação pós-queda, os médicos solicitaram exames de imagem de alta complexidade. A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) informou que Weverton passou por tomografia e outros testes preventivos. A ideia é descartar lesões internas que possam não ter doído imediatamente pelo choque da queda na água fria e turva do rio. Ele recebeu alta ainda na segunda e voltou para casa, mas com recomendação de repouso e observação.
A cena do desabamento foi registrada por câmeras de segurança e chocou os moradores de Sena Madureira. No vídeo, dá para ver a estrutura cedendo e as pessoas despencando. Weverton sobreviveu nadando e se agarrou aos restos da madeira. Ele disse aos parentes que "encostou no fundo do rio" antes de conseguir subir à superfície. Hoje, o que resta da ponte são estacas quebradas e um buraco na via que servia centenas de famílias.
Na cidade do interior, o caos logístico é o tema das conversas na praça. Sem a ponte, o acesso a determinadas zonas rurais e bairros da periferia exige um desvio de mais de 30 quilômetros por estradas de chão batido. Mototaxistas reclamam da perda de fregueses e do aumento do consumo de combustível. A prefeitura de Sena Madureira informou que acionou a Defesa Civil, mas ainda não apresentou um cronograma para a obra emergencial. Moradores cobram uma solução rápida, já que a época de chuvas tende a piorar o transporte fluvial, que agora se torna a única alternativa para cruzar o Iaco naquele ponto.
O caso de Weverton chama atenção para a fragilidade da infraestrutura municipal. Pontes de madeira sobre rios da Amazônia exigem manutenção constante e vistorias técnicas que muitas vezes não acontecem no prazo devido. Ignorar uma placa de interdição é perigoso, mas falta de alternativa de transporte também mata. Enquanto a nova ponte não sai, o risco de novos acidentes envolvendo quem tenta atravessar a nado ou por canoas improvisadas permanece alto.
Em Rio Branco, o Hospital João Câncio continua recebendo casos complexos de todo o interior do estado. A unidade de referência em trauma está preparada para atendimentos de alta complexidade. Pacientes que precisam de exames especializados vindos do interior devem levar documentos pessoais, carteira do SUS e, se possível, encaminhamento médico da unidade de origem para agilizar a triagem. O plantão da emergência funciona 24 horas por dia.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



