Vem Louvar Pará reúne Diante do Trono e Thalles Roberto em shows gratuitos no Mangueirão
Festival gratuito nos dias 26 e 27 de junho no estacionamento do Mangueirão promete adoração contemporânea e shows de grandes nomes do gospel em Belém.
O som da bateria ecoa no asfalto quente do estacionamento do Mangueirão antes mesmo do sol se pôr. É um bum-boom grave que faz o peito vibrar, testando as caixas de som que vão amplificar as vozes de milhares de pessoas nos próximos dois dias. No ar, o cheiro característico de chuva prestes a cair mistura-se ao suor da montagem do palco, uma estrutura metálica imensa que divide o gramado da arquibancada. Belém respira fundo e se prepara para a segunda edição do Vem Louvar Pará, um festival que promete transformar o maior estádio do estado em um templo a céu aberto.
A música cristã não é nicho no Pará; é pulso. Nos dias 26 e 27 de junho, o evento volta à capital com uma proposta que mistura a grandiosidade da arena com a intimidade da adoração. A entrada é franca, e a expectativa da organização é de que o espaço se encha como já aconteceu em cidades como Marabá, Altamira e Parauapebas, onde o festival deixou rastros de glória e mais de 50 mil pessoas espalhadas pelo pátio de eventos. Aqui, na capital, o desafio logístico é maior, mas a fé das caravanas que chegam do interior cumpre o papel de combustível.
Na sexta-feira (26), a abertura cabe a Julliany Souza. A cantora carrega em sua voz o peso da nova geração do worship brasileiro, um estilo menos teatral e mais mergulhado na repetição contemplativa de letras que falam de entrega. É um som minimalista, que precisa da multidão para ganhar corpo. Logo após, o Ministério Diante do Trono assume o comando. Não é apenas uma banda; é uma marca da memória afetiva dos evangélicos brasileiros. Ver Ana Paula Valadão e a banda na altura do Pará, cantando hinos que atravessam décadas, é como acessar um arquivo vivo de sentimentos coletivos, onde o braço levantado de um fiel puxa o do vizinho ao lado.
Sábado (27) reserva um ritmo mais pop. Thalles Roberto, que sabe como ninguém equilibrar a mensagem com a cadência da rádio, divide o palco com Bruna Karla e Isadora Pompeo. Thalles tem a voz marcante, um tenor rouco que confere dramaticidade às canções, enquanto Bruna traz a leveza de quem cresceu nos corais de igreja e ganhou as estações de TV. Isadora, com sua potência vocal, fecha o ciclo mostrando que a música cristã no Norte também consome e produz as tendências que dominam as plataformas de streaming no Sudeste.
O que o Vem Louvar Pará faz de interessante em Belém é ocupar o espaço urbano. O Mangueirão é o lugar do futebol, do clássico Paysandu x Remo, do grito esportivo. Tomá-lo para a música gospel é uma ressignificação do território. O estacionamento, local de trânsito e pressa, vira ponto de parada, de estendimento de toalha no chão, de compartilhamento de lanche e água. É um "puxirum" invisível, onde todos trabalham juntos para que a experiência coletiva aconteça.
A tecnologia de som e luz precisa estar à altura. A acústica do local, desfavorável por ser aberto, é vencida pelo volume da massa. Não é raro ver fiéis com fones de ouvido conectados ao sistema principal para garantir que nem uma nota se perca. A produção promete uma estrutura visual que dialogue com a letra das músicas, usando luzes quentes para os momentos de reflexão e estroboscópios controlados para os hinos de celebração.
Para quem vai, o ritual começa cedo. Os portões abrem às 17h. É a hora de disputar o lugar mais próximo do palco, de esticar a lona e de preparar o corpo para ficar em pé por horas. A programação oficial começa às 19h, mas o clima de festa — ou de "desfrute", como dizem os fiéis — começa na fila de entrada, nas orações em círculo e na expectativa do que vai ser cantado primeiro.
O encontro vai acontecer no estacionamento do Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão. Nos dias 26 e 27 de junho, a partir das 17h, a entrada é franca. Não precisa de ingresso, apenas de vontade de cantar junto.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



