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Viviane Batidão grava projeto 'Batidão Raiz' em Santa Izabel do Pará

Cantora registra novo set no Balneário Caraparu, cidade natal, conectando o ritmo das aparelhagens à memória dos verões no rio.

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Karina Pinheiro
Pará · AM
03 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 725 palavras
Palco montado às margens de rio com público em dia de sol na região do Pará.
Cantora registra novo set no Balneário Caraparu, cidade natal, conectando o ritmo das aparelhagens à · Foto: Redação Nortícia

A lama do Rio Caraparu gruda no dedão do pé e não sai nem com sabão em pó. No verão, essa terra barrenta vira o chão mais pisado do Pará, e é ali, no meio do verde escuro e do barulho de caixote, que Viviane Batidão resolveu plantar o microfone. Neste domingo (7), a cantora leva o projeto "Batidão Raiz" para o Balneário Caraparu, em Santa Izabel do Pará, não apenas para um show, mas para uma declaração de amor à água que a criou. O calor do meio-dia aperta, a cerveja estica no copo de plástico, e o som começa a subir antes mesmo de o sol se pôr, misturando-se ao burburinho de famílias inteiras que ocupam os igarapés.

Não é à toa que a capa do álbum novo carrega o desenho daquele rio. O "Batidão Raiz" não se contenta com o asfalto quente da capital; ele quer a sombra da mangueira e o frescor da várzea. Viviane, que é menina de Santa Izabel, sabe que a verdadeira batida do tecnobrega não está apenas nos equipamentos de última geração, mas na memória afetiva de quem passou a infância pulando onda na beira da praia de barro. Ao levar o set para lá, ela transforma o balneário — ponto de encontro de avós, crianças, churrasco na laje e gelo derretendo no isopor — em um estúdio a céu aberto onde o público não é plateia, é parte integrante da melodia.

O projeto resgata a energia bruta das aparelhagens de antigamente, aquelas que faziam a janela tremer quando o som passava na rua, carregando a marca do "caixão" e do melody. O conceito nasce dessa conexão visceral com o interior do estado, com os igarapés que cortam a cidade e com o jeito particular de festejar do paraense que não precisa de ferradura de gold para se alegrar. A gravação, que começa às 15h, é aberta ao público. Ou seja, o povo de Santa Izabel — prima, vizinha, antigo colega de escola, o senhor que vende tapioca na esquina — vira parte do registro audiovisual. É o território validando a artista que migrou.

Viviane já tinha gravado "Só no Pará" na cidade, mas agora o peso é diferente. É a maturidade de quem olhou para fora, viu o sucesso multiplicar nas redes e nos palcos de fora, e entendeu que o alicerce continuava sendo o barulho do rio e o calor de 40 graus da terra natal. É um respiro no meio da agenda frenética para respirar o ar do mato e ouvir o sotaque do lugar que ninguém tira. O set promete misturar faixas do disco recém-lançado com aquelas que todo mundo sabe de cor, criando um coro de vozes que vai ecoar muito além das margens do Caraparu, levando o interior para dentro dos aparelhos de som de todo o Brasil.

O Balneário Caraparu não é apenas um cenário; é um personagem na história de Santa Izabel. Foi testemunha de primeiros namoros, de brigas de praça que acabaram em risada, de anos de verões que pareciam não ter fim. Quando Viviane fala em "raiz", ela está batendo no peito essa geografia molhada e solar. É a tentativa de traduzir em imagem e som aquele sentimento inefável de liberdade que só se tem quando se está mergulhado no rio com os amigos, sem hora para chegar em casa. O projeto audiovisual tenta capturar essa luz dourada do fim de tarde amazônico, que amolece o cimento e endurece a saudade. Ao incluir o público local na gravação, o trabalho documenta não só a música, mas a cara do povo que consome e legitima aquela cultura diariamente. É o forró estourado, o calypso acelerado, o tecnobrega melado de suor, tudo misturado na mesma panela que alimenta a identidade regional.

Quem for até lá vai encontrar o espetáculo do entardecer no interior, o cheiro de peixe na brasa e o som grave que define uma geração. Não é apenas um show de verão; é a coroação de uma carreira que nunca esqueceu de onde veio, servida com a simplicidade da roça e a potência do som que consagrou o Pará como celeiro de ritmos. O encontro é no Balneário Caraparu, em Santa Izabel do Pará, a partir das 15h deste domingo. Entrada franca, e a lama no pé é opcional, mas recomendada para sentir a batida de verdade.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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