Adolescente morre ao atravessar BR-174 após descer de transporte escolar em Manaus
Paulo Levy, de 13 anos, foi atingido por uma picape no km 15 da BR-174; família recém-chegada ao Ramal Cláudio Mesquita lida com a dor.
Eumar da Costa viu o filho Paulo Levy descer do transporte escolar no quilômetro 15 da BR-174. Era por volta do meio-dia de segunda-feira (1º), sol forte na cabeça. O garoto de 13 anos atravessou a rodovia e não voltou para a casa nova da família, no Ramal Cláudio Mesquita, zona Norte de Manaus.
Uma picape atingiu o adolescente. Paulo Levy da Silva Bezerra, aluno do 8º ano da Escola Municipal Solange Nascimento, morreu na hora. A polícia foi acionada, mas o acidente já estava consumado naquele trecho da BR-174 onde o asfalto rápido divide as residências modestas do tráfego intenso de caminhões e carros de passeio.
O Ramal Cláudio Mesquita fica na altura do km 15. É uma região de expansão urbana que ainda depende da rodovia federal para acesso local. Quem mora ali sabe que a calçada é o acostamento estreito. Não há faixa de pedestre, semáforo ou lombada próxima ao ponto onde o motorista do transporte escolar parou para deixar as crianças. A sinalização é restrita à placa de velocidade máxima, muitas vezes ignorada por quem precisa atravessar a cidade.
A família de Paulo Levy havia se mudado para o endereço há poucos meses. Eumar da Costa, frentista, e a esposa buscaram ali o sonho da casa própria. Paulo, estudante dedicado e fiel à igreja, estava se adaptando à nova rotina. Para ele, o caminho de volta da escola era descer do ônibus e caminhar até a porta. Na segunda-feira, a travessia foi interrompida pelo impacto violento do veículo.
"Ele era um menino bom, ajudava em tudo", disse o pai, abalado, enquanto preparava o velório. O relato de Eumar é de uma dor silenciosa, típica de quem perde um filho em um lugar onde se esperava futuro. O transporte escolar é o único meio de acesso garantido para os estudantes das escolas municipais daquela área, pois o ônibus regular da cidade não entra no ramal com a frequência necessária.
Moradores da região relatam que a velocidade dos carros naquele trecho é um risco constante, especialmente nos horários de entrada e saída de aula. "Aqui é um perigo, as pessoas têm que correr para atravessar", conta uma vizinha que pediu para não ter o nome divulgado. O medo agora paira sobre os outros pais que veem seus filhos desembarcarem diariamente na beira da BR-174, expostos ao fluxo descontrolado.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) é responsável pelo transporte escolar municipal. O contrato das empresas de ônibus exige, em tese, pontos de embarque e desembarque seguros. Mas na prática, as estradas rurais e vicinais de Manaus carecem de infraestrutura adequada para pedestres. A Polícia Militar de Trânsito registrou o acidente e apura as circunstâncias, embora não houvesse informações imediatas sobre a prisão do motorista da picape.
O corpo de Paulo Levy foi velado nesta terça-feira (2), enquanto a família lida com o vazio deixado na casa nova. Na escola, professores e colegas receberam a notícia com consternação. O que restou no asfalto foi o alerta sobre a falta de segurança viária em um dos ramais mais populosos da zona Norte.
Denúncias sobre pontos de transporte escolar perigosos podem ser feitas à Semed pelo telefone (92) 3632-2074 ou diretamente nas unidades escolares. Ocorrências de trânsito e infrações na BR-174 devem ser registradas junto à Polícia Militar pelo 190.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


