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Motociclista morre após colisão com carreta na BR-316 em Castanhal

Vítima foi identificada como Antônia Auricelia da Souza Chagas; Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente próximo ao terminal rodoviário.

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Ananda Rocha
Pará · AM
02 de jun. de 2026
publicado
4 min
de leitura · 788 palavras
Viatura da Polícia Rodoviária Federal e peritos trabalham no local de acidente fatal na BR-316.
Vítima foi identificada como Antônia Auricelia da Souza Chagas; Polícia Civil investiga as circunstâ · Foto: Redação Nortícia

A faixa da direita da BR-316, logo na saída para o terminal rodoviário de Castanhal, é o corredor do medo de quem pedala por ali todos os dias. Foi exatamente nesse ponto, na tarde desta terça-feira (2), que Antônia Auricelia da Souza Chagas perdeu a vida. A motocicleta que ela conduzia colidiu com a carreta de uma transportadora. O impacto foi forte: ela atingiu a lateral do caminhão, perdeu o equilíbrio e acabou sendo atropelada pelo próprio conjunto de rodas.

O trânsito de cargas na BR-316 é o pulmão econômico do Pará, mas é também o pesadelo diário dos motociclistas que fazem o "varejo" no asfalto. O trecho que corta Castanhal não tem acostamento em vários pontos, forçando uma convivência perigosa entre caminhões de 60 toneladas e motos de 150 cilindradas que entram e saem da cidade pela mesma mão.

Raimundo Evangelista, 38 anos, é piloto de mototáxi há 12 anos na região. Ele estava parado no semáforo próximo ao local, aguardando o verde, quando ouviu o barulho da freada. "Era um som de estridor, pneu no asfalto quente. Quando virei, a moto já estava no chão e o pessoal correndo para não olhar, mas a gente vê", conta Raimundo, enquanto limpa o espelho retrovisor do seu Honda CG em um posto a cem metros do acidente. Ele diz que aquele cruzamento, que dá acesso ao Terminal Urbano de Castanhal e à entrada da cidade, é um ponto cego mortal. "A carreta vem numa velocidade, a gente tenta ganhar o espaço, e ali não tem brecha. É um jogo de azar todo dia."

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) isolou a pista por cerca de duas horas para o trabalho da Polícia Científica. O perito croquou a cena, mediu a marca de derrapagem e recolheu fragmentos do veículo. O motorista da carreta, que não teve a identidade divulgada, permaneceu sentado no estribo do caminhão, de cabeça baixa. Ele realizou o teste do etilômetro no local e o resultado foi negativo. A própria PRF confirmou que não havia sinais de embriaguez. Ele foi liberado após prestar depoimento, mas a responsabilidade civil e criminal ainda será definida pelo inquérito.

O inquérito foi instaurado na 1ª Delegacia de Castanhal. A Polícia Civil vai ouvir testemunhas e analisar o laudo do Instituto de Criminalística (IC) para definir se houve infração de trânsito. Se o laudo apontar culpa exclusiva da moto, a família da vítima terá dificuldades em obter indenização do DPVAT além do básico. Se a culpa for compartilhada ou da carreta, abre-se precedente para ação civil.

A dona de uma lanchonete no acostamento, que pediu para ser identificada apenas como Maria, 52 anos, diz que acidentes ali são rotina. "Aqui tem feira perto, tem gente indo pro terminal, tem moto subindo na calçada. Semana que não tem batido é porque choveu e o pessoal saiu menos", relata Maria, enquanto serve um café para um motorista de ônibus. Ela lembra que há dois anos, um estudante foi atropelado na mesma faixa, sobreviveu, mas ficou com sequelas nas pernas.

Castanhal é uma cidade-dormitório para milhares de trabalhadores que vão para Belém todos os dias. O fluxo pendular intenso, somado ao frete de cargas que vem do porto e vai para o interior, transforma a BR-316 numa via saturada. O debate sobre a duplicação da rodovia entre Belém e Castanhal arrasta-se há décadas. O trecho atual, com duas faixas de rolamento, suporta um volume de tráfego muito acima da capacidade para a qual foi projetado nos anos 70. O engarrafamento na entrada de Castanhal, conhecido como "Pararaíba", é um cartão-postal da ineficiência viária, mas é nos trechos de fluxo livre, como o do acidente, que os índices de mortalidade sobem.

A Prefeitura de Castanhal informou, por meio da assessoria, que o local é uma rodovia federal e, portanto, a gestão de faixas e sinalização é competência do DNIT e da PRF. No entanto, o município é responsável pelo acesso ao terminal rodoviário, local que atrai um fluxo intenso de pedestres e motos que cruzam a federal. Até o fechamento desta matéria, o DNIT não se manifestou sobre a instalação de redutores de velocidade ou radares naquele quilômetro específico.

O corpo de Antônia foi liberado na manhã desta quarta-feira (3). O velório acontece em um cemitério da zona urbana. Raimundo, o mototaxista, disse que vai passar na casa da família para deixar um óbolo. "É a gente mesmo. Podia ser eu, podia ser meu irmão. A gente depende dessa moto pra sustentar a casa e a estrada não dá o menor desconto."

Reclamações sobre infraestrutura e sinalização na BR-316 podem ser registradas na Ouvidoria do DNIT pelo número 166 ou pelo aplicativo Cidadão DNIT. Acidentes com vítimas devem ser comunicados imediatamente à PRF pelo número 191.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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