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Nortícia CidadesPrograma Meu Pai Tem Nome

Inscrições para reconhecimento de paternidade vão até julho no Acre

Defensoria do Acre oferece serviço gratuito para preencher nome de pai ou mãe na certidão; atendimento é em 1º de agosto em três cidades.

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Ananda Rocha
Acre · AM
02 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 733 palavras
Mãe mostra certidão de nascimento de filho em casa em Rio Branco.
Defensoria do Acre oferece serviço gratuito para preencher nome de pai ou mãe na certidão; atendimen · Foto: Redação Nortícia

Maria Luiza da Silva, 24 anos, passa o dedo indicador sobre o espaço vazio na certidão de nascimento do filho, Davi Luiz. A folha fica em cima da mesa da cozinha da casa do Conjunto Esperança, na zona Norte de Rio Branco, sob o barulho do liquidificador da vizinhança. O campo onde deveria constar o nome do pai está riscado, com a palavra "ignorada" impressa ao lado. "É uma mancha que não sai. Todo ano, na matrícula da escola, a gente tem que explicar essa ausência. É cansativo", conta Maria.

Esse cenário deve mudar para centenas de famílias acreanas nas próximas semanas. A Defensoria Pública do Acre (DPE-AC) abriu as inscrições para a edição 2026 do Programa Nacional 'Meu Pai Tem Nome'. A iniciativa é simples e poderosa: oferecer assistência jurídica gratuita para incluir o nome do pai ou da mãe nos registros civis. Pode ser paternidade biológica ou socioafetivo — aquele pai ou mãe de criação que nunca assinou o papel, mas cuida da criança no dia a dia.

As inscrições começaram nesta terça-feira e seguem abertas até o dia 1º de julho. Não tem fila, não precisa madrugar, e tudo é feito pela internet, no formulário disponível no site da Defensoria. O "Dia D" da ação, quando os advogados recebem as pessoas para assinar os documentos, está marcado para 1º de agosto.

Para Maria, a data é um marco. Ela pretende inscrever o ex-companheiro para regularizar a situação de Davi. "Ele sabe que é o pai, mas nunca teve a 'joga' de ir no cartório. Com a Defensoria intermediando, ele não tem desculpa", diz ela, enrolando a certidão de novo.

O programa não serve apenas para mães que buscam reconhecimento. Pais que não assinaram o registro no nascimento, avós ou tios que assumem a guarda e até mesmo adultos que querem reconhecer a própria paternidade tarde demais podem participar. O pedreiro Raimundo Nonato, 52 anos, morador do Bairro 2 de Julho, é um deles. Ele tem uma filha de oito anos vivendo em Brasília Teixeira, no interior, e o nome dele nunca foi para o papel. "Trabalhava fora, a gente se afastou. Agora quero dar sobrenome a ela. Ela não pode carregar o da mãe só porque o pai é ausente no papel", afirma Raimundo. Ele vai se inscrever para fazer o acordo extrajudicial pela internet.

O atendimento presencial no Dia D, 1º de agosto, acontece em três pontos fixos: na sede da Defensoria em Rio Branco (Rua Rio de Janeiro, 128, Bosque), na unidade de Cruzeiro do Sul e na de Tarauacá. Quem mora na capital e vai usar o ônibus 003 ou 006 deve descer na Catedral e caminhar três quarteirões até o prédio da Defensoria. A prefeitura não sinalizou mutirão de transporte para a data.

Já quem vive em municípios distantes, como Feijó, Sena Madureira ou Brasiléia, não precisa pegar a estrada. A Defensoria habilitou o atendimento virtual. O processo exige que as duas partes — quem reconhece e quem é reconhecido — estejam de acordo. O defensor entra em contato pelo aplicativo ou telefone, colhe as declarações e envia o acordo para o tabelionato de notas perto das partes.

Segundo a nota oficial da DPE-AC, o programa não cobra nada e não tem limite de vagas. Caso seja necessário realizar o exame de DNA para comprovar a paternidade biológica e a pessoa não tiver dinheiro para pagar, o Estado arca com o custo através da Defensoria.

Ter o nome completo na certidão abre portas que muitos nem imaginam. É garantia de pensão alimentícia em caso de separação, direito de herança, inclusão em plano de saúde e dependente no INSS. É cidadania completa. "O menino tem o direito de saber de onde ele veio", diz Maria, guardando a certidão na gaveta.

Para participar, basta acessar o site da Defensoria Pública do Acre e procurar o banner do 'Meu Pai Tem Nome'. O formulário pede nome completo, número do CPF e um resumo do caso. Após o cadastro, a pessoa recebe confirmação por e-mail ou SMS com o horário de atendimento no Dia D ou as instruções para o processo virtual.

Quem tiver dificuldade com o cadastro online ou precisa tirar dúvidas sobre os documentos que deve levar (RG, CPF e certidão de nascimento da criança) pode ligar para o telefone da Defensoria em Rio Branco: (68) 3223-3200. O telefone funciona de segunda a sexta, das 8h às 14h.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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