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Nortícia EsporteRetrospectiva Copa 2014

Há 12 anos, Manaus via a Arena da Amazônia estrear para o mundo

A capital amazonense se tornou a primeira do Norte a sediar jogos de Copa, misturando o calor tropical com a festa global em 2014.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
19 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 576 palavras
Vista externa da Arena da Amazônia sob o céu nublado de Manaus, destacando a estrutura em formato de cesta indígena.
A capital amazonense se tornou a primeira do Norte a sediar jogos de Copa, misturando o calor tropic · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de chuva e gramado novo ainda impregnava o ar da zona oeste de Manaus naquela manhã de março. Há exatos 12 anos, em 9 de março de 2014, a cidade parou não por causa de um congestionamento na avenida Torquato Tapajós, mas para ver o sonho de concreto e aço se tornar realidade. A Arena da Amazônia, com sua cobertura que lembra uma cesta indígena entrelaçada com a leveza da palha, mas feita de aço pesado, abria as portas pela primeira vez. O jogo teste entre Nacional e Remo, terminado em 0 a 0, era apenas o ensaio mudo para o que viria três meses depois: o mundo olhando para o meio da floresta.

Em junho daquele ano, Manaus deixou de ser apenas a porta de entrada para o turismo ecológico para se tornar um dos palcos privilegiados da Copa do Mundo. Quem estava nas ruas lembra do calor absurdo, úmido, que colava a camisa nas costas dos turistas europeus e sul-americanos desacostumados com a linha do Equador. Lembram também do som das trombetas e hinos estrangeiros ecoando pelas avenidas que, até então, ouviam mais o barulho de ônibus articulados e o trovão de chuvas torrenciais de final de tarde. A cidade se vestiu de cores que não eram apenas as da natureza, mas as de nações inteiras que desceram aqui para torcer.

A construção não foi um processo de doce expectativa. No lugar do Vivaldão, o velho estádio que abrigou gerações de torcedores e gritos de gol que ficaram na memória afetiva dos amazonenses, ergueu-se um monstro moderno. O custo de quase 670 milhões de reais trouxe estruturas de lastro protendido e conceitos de sustentabilidade que prometiam ventilar o calor, mas também trouxe o luto. Três operários morreram durante a obra, um preço alto que manchou a inauguração e que precisa ser lembrado quando se fala da festa. A arquitetura, assinada pelo escritório alemão gmp, buscava a leveza nas estruturas metálicas, inspiradas nos grafismos dos povos originários, uma tentativa de traduzir a floresta em engenharia.

Durante o Mundial, a arena viu gols de craques mundiais, o sofrimento de seleções tradicionais como Itália e Inglaterra e a classificação inesperada de outras. Mas, mais do que os resultados em campo, o evento foi uma vitrine cultural atípica. Torcedores da Holanda e da Espanha, vestidos com seus laranja e vermelho vibrantes, descobriram o gosto forte do tucupi e o formigamento do jambu na feira, tentaram, sem sucesso, entender a dinâmica da cidade e se encantaram (ou sofreram) com a paisagem de cortar o coração vista do alto das pontes. Manaus respirou futebol. As casas tinham bandeiras nas janelas, o comércio de rua se adaptou para receber dezenas de idiomas e havia uma sensação coletiva, efêmera mas potente, de que a Amazônia não era um fim de mundo, mas um começo.

Passada a euforia da bola rolando, o gigante de concreto seguiu de pé. A Arena hoje é casa de times locais, palco de grandes shows e um marco na skyline da cidade. O Vivaldão, democrático e sem mordomias, vive apenas nas fotografias em preto e branco e nas memórias dos mais velhos. O que restou daquele 2014 foi a certeza de que o Norte é palco, e não apenas cenário exótico. Hoje, passar em frente à Arena da Amazônia é lembrar daquele junho quente, quando Manaus provou que o futebol também tem cor de rio, cheiro de mata e o som da chuva batendo na arquibancada.

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◆ Repórter · Nortícia Esporte

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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