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Artesã do Acre cria linha de crochê temática para a Copa do Mundo

Nice Maia, de Rio Branco, usou técnicas aprendidas na infância para produzir bonecas e acessórios verde e amarelo.

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Padre Bruno Sena
Acre · AM
05 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 344 palavras
Novelos de linha verde e amarelo sobre mesa com peças de crochê prontas em Rio Branco.
Nice Maia, de Rio Branco, usou técnicas aprendidas na infância para produzir bonecas e acessórios ve · Foto: Redação Nortícia

Nice Maia tira do saquinho um novelo de fio verde-amarelo e, antes de começar a tecer, avalia a luz que entra pela janela de casa em Rio Branco. É uma hora sagrada, essa em que o pontinho se une ao outro e, do nada, nasce uma boneca de campos de futebol ou um sapatinho para um bebê que ainda vai conhecer o primeiro Brasil.

Há muito tempo ela não faz isso apenas pelo gosto de ver a coisa pronta. Começou em Mâncio Lima, lá no interior do Acre, quando a mãe, dona de uma paciência de santo, sentava os filhos no chão da varanda para ensinar o que o dinheiro não comprava. "Aprendi crochê, corte e costura quando era criança. Sempre cultivei o crochê como uma paixão", conta Nice, lembrando que o primeiro susto da agulha foi virar tapetes e sousplats para a casa da família.

O trabalho tomou outra forma quando o lazer encontrou a necessidade do mercado. Nice viu que o fio podia contar histórias mais lúdicas — personagens, bichinhos, coisas que fazem sorrir — e que sorriso, por essas bandas, também precisa de comida na mesa. Com a Copa do Mundo batendo à porta, o verde e amarelo dominaram a cesta de costura. Surgiram bolsas, chaveiros, mascotes.

"Fui direcionando o trabalho para uma linha mais lúdica, produzindo brinquedos e personagens", diz ela. O que parece um simples adereço de torcedor para muita gente, para Nice é o resgate de uma lição de Mâncio Lima: criar com as mãos é forma de não esperar que a vida aconteça, é tecer o próprio caminho.

A cidade se enfeita para o mundo, mas na sala de Nice o jogo principal é o controle do ponto, a precisão da linha que não pode arrebentar. Ela termina uma bonequinha, arruma a roupinha dela e coloca sobre a mesa, como quem coloca uma oferenda. O torneio vai rolando lá fora, mas aqui, dentro de casa, a vitória é essa: um trabalho honesto nascido da paixão de uma menina que um dia pegou a agulha pela primeira vez.

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◆ Repórter · Nortícia Boa

Padre Bruno Sena

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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