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Boi Garantido antecipa traslado de alegorias para garantir acabamento no Bumbódromo

Com 25 dias de antecedência, o Boi inicia o transporte dos módulos do galpão para a área de concentração em Parintins.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 515 palavras
Caminhão transporta estrutura gigante de alegoria pelas ruas de Parintins sob sol da manhã.
Com 25 dias de antecedência, o Boi inicia o transporte dos módulos do galpão para a área de concentr · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de verniz e tinta acrílica fresca domina o ar úmido da manhã em Parintins. É um perfume denso, de madeira recém-cortada e promessa de espetáculo, que agora escapa dos galpões do Boi Garantido e invade as ruas. Nesta segunda-feira (1º), o som ritmado das lixas e dos martelos foi substituído pelo ronco surdo dos motores de caminhão. O Boi acordou cedo. Faltando 25 dias para o 59º Festival de Parintins, a agremiação vermelha e azul quebrou a tradição e antecipou em uma semana o traslado das alegorias para a área de concentração, ali perto do Bumbódromo.

A movimentação não é apenas logística; é o pulo do gato do bumbá para 2026. Em vez de deixar para a última semana, quando o calor e a ansiedade apertam, cerca de 30% a 40% dos módulos já estão deixando a segurança da oficina. No pátio de concentração, o sol bate forte, mas é ali que as peças vão ganhar o toque final. É o momento de ajustar as últimas costuras, testar a mecânica interna das jointas e garantir que o brilho do foil resista à luz forte dos refletores da arena.

Ver uma alegoria em trânsito pelas avenidas de Parintins é um espetáculo à parte. As estruturas parecem gigantes deslocados, cercadas por uma equipe de marreteiros e artesãos que olham para aquelas peças não como madeira e fibra de vidro, mas como anos de história. Atrasar o cronograma é o pesadelo de todo mestre de arte. Ao adiantar o translado, o Garantido compra o que há de mais precioso nessa reta final: tempo. Tempo para polir, tempo para corrigir uma cor que não ficou perfeita, tempo para garantir que o movimento da alegoria não falhe na hora H da "chamada".

Dentro do galpão, o vazio deixado pelos primeiros módulos já avisa que a festa chegou. O que sobra é o rastro do trabalho manual, a poeira de gesso no chão e a sensação de missão cumprida por parte dos artistas e escultores. O Festival de Parintins é construído primeiro na solidão do ateliê, antes de explodir para milhares de pessoas. O traslado marca essa transição: o sonho individual de quem criou vira patrimônio coletivo de quem vai aplaudir.

A cidade de Parintins também começa a mudar de cor. Nas calçadas, conversas sobre o que o Garantido trouxe de novo se misturam com o borbulhar do ar condicionado dos comércios. A antecipação do Boi colheu a expectativa da torcida. Se o acabamento está melhor, a apresentação promete ser mais precisa. Na cultura popular, o detalhe faz a diferença entre o bom e o inesquecível, e é nesses minutinhos a mais de trabalho na área de concentração que o brilho do Caprichoso é combatido.

O 59º Festival de Parintins será nos dias 28, 29 e 30 de junho. As portas do Bumbódromo abrem antes da noite, mas o espetáculo começa agora, nas costas dos que carregam a madeira e nos olhos dos que veem a arte sair do papel. Vale a pena chegar cedo e sentir a cidade pulsar antes do primeiro grito de "oba, oba" na arquibancada.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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