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Prato 'Pérola Negra' vence Festival Brasil Sabor com filhote e molho haitiano no Amapá

Com 74% dos votos, criação do Mangút Bistrô uniu filhote amazônico a molho caribenho e conquistou o público no Sambódromo de Macapá.

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Karina Pinheiro
Amapá · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 391 palavras
Prato de filhote servido com arroz de coco, banana caramelizada e molho vermelho em porção individual.
Com 74% dos votos, criação do Mangút Bistrô uniu filhote amazônico a molho caribenho e conquistou o · Foto: Redação Nortícia

O molho crioulo chega primeiro com a pimenta, quente no fundo da garganta, antes de ceder para o doce da banana-da-terra caramelizada. É esse choque, o tempero caribenho encontrando a doçura da terra, que define o "Pérola Negra". O prato, que levou mais de seis mil votos e destronou concorrentes no último domingo, não é apenas uma vitória do Mangút Bistrô: é a assinatura de uma Macapá que gosta de misturar o rio com o mundo.

No prato, o filhote aparece diferente do habitual. Em vez de desmanchar no caldo, o peixe de água doce está marinado no limão, alho e especiarias, selado rapidamente para manter a textura firme. É o protetor da base cremosa de arroz de coco, que traz aquele gosto de leite vegetal que só a Amazônia tem, espesso e branco. Por cima, o molho haitiano — uma herança de sabores que atravessou o Atlântico — traz o tomate, o pimentão e a cebola refogados até virarem uma pintura vermelha e viva.

A vitória no 20ª Festival Brasil Sabor no Amapá não foi por pouco. Foram 6.055 votos, quase 75% do total, num placar que deixa claro o que o público da festa no Sambódromo quis provar. O evento, que reuniu 33 empreendimentos com propostas que iam do sanduíche à pizza, teve sua coroa decidida pelo paladar popular. Enquanto outros apostaram em nomes curiosos como "Sandes CR7 d'Amazônia", a "Pérola Negra" apostou na execução e na harmonia.

Quem passou pelos estandes do Sambódromo conta que o segredo estava no equilíbrio. O filhote, peixe nobre da região, não briga com o molho estrangeiro; ele o abraça. O arroz de coco amacia o impacto da pimenta do crioulo, e a banana traz o toque final de açúcar que lembra sobremesa, mas funciona como salgado. É técnica aplicada à comida de rua, o que torna o prato acessível ao mesmo tempo que sofisticado.

O Mangút Bistrô, agora com o título na vitrine, mostra que a gastronomia do Amapá não precisa se prender apenas ao tucupi e ao tacacá para ser autêntica. Autenticidade aqui também é ousar combinar o filhote do Amazonas com o molho do Caribe, criando algo novo que ainda assim sabe a Macapá. O festival encerrou, mas o sabor fica no ar da cidade, convidando quem comeu a repetir a experiência em mesa, agora sem a pressa da votação.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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