Botijão de 13 kg sobe 3,36% em Manaus, enquanto preço de 8 kg recua, aponta Procon
Pesquisa mostra disparidade de preços entre distribuidoras; alta no modelo padrão pressiona cesta básica na capital.
O botijão de gás de 13 quilos — o padrão na maioria das residências de Manaus — encareceu até 3,36% em junho na capital, empurrando o teto do produto para R$ 134 nas revendas pesquisadas. O dado é do levantamento mais recente do Procon-Manaus, divulgado nesta sexta-feira (19) e que monitorou 36 estabelecimentos entre segunda (15) e terça-feira (16).
Na prática, o impacto foi sentido diretamente no bolso do consumidor que abastece com a Amazongás: o preço mínimo subiu de R$ 119, registrado em maio, para R$ 123 agora. Já na Fogás, a oscilação foi ainda mais acentuada. Embora o menor valor encontrado tenha sido de R$ 125,99, a pesquisa flagrou o produto sendo vendido por até R$ 134 — uma diferença de quase 7% dentro da mesma distribuidora.
Existe, contudo, um movimento de correção no outro extremo da escala. O modelo de 8 kg, que serve como alternativa para famílias menores ou para quem não tem como desembolsar o valor cheio do botijão grande, teve queda de 1,25% no período. Na Fogás, o preço oscilou entre R$ 78,99 e R$ 84,50. Aqui cabe a ressalva técnica: apesar da queda percentual atraente, o custo por quilo no botijão menor ainda é superior ao do de 13 kg. É a economia de escala penalizando quem tem menor poder de poupança mensal.
Para dimensionar o cenário, é preciso olhar para a logística da Amazônia. Diferente das regiões Sul e Sudeste, onde a malha rodoviária densa barateia o frete do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), Manauara vive uma dependência crítica das modalidades fluvial e da BR-319. Qualualquer aumento no preço do diesel ou intermitência no transporte eleva o custo final no ponto de venda. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do gás no Norte historicamente situa-se acima da média nacional, exatamente por este componente logístico que chega a representar até 30% do valor final.
A pesquisa do Procon ainda analisou o botijão de 7 kg da Amazongás, encontrado na faixa de R$ 77 a R$ 86. Essa amplitude de preços dentro da cidade — quase R$ 10 de diferença dependendo do bairro — revela um varejo desigual. O consumidor manauara, portanto, é obrigado a exercer a pesquisa de preços como uma ferramenta de defesa econômica. A variação ocorre mesmo considerando que o preço da distribuidora é tabelado; o que muda é a margem do revendedor e os fretes de entrega intra-urbana.
É importante notar que, nos últimos doze meses, o preço do gás tem funcionado como um âncora inflacionária resistente. Mesmo com o dólar apresentando moments de estabilidade neste primeiro semestre de 2026, o repasse para o botijão é lento e assimétrico. Quando o câmbio sobe, o preço do gás reage na semana seguinte; quando o câmbio cai, a redução demora meses para chegar ao consumidor final. Essa assimetria, conhecida na economia como "rigidez para baixo", comprime a renda real do trabalhador.
O levantamento cobriu as zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro. O que se vê é um mercado em ajuste, mas ainda longe de oferecer alívio consistente para o orçamento doméstico. O gás de cozinha é um bem inelástico: a família pode reduzir a carne, mas não deixa de cozinhar o arroz e o feijão. Por isso, altas recorrentes no GLP são particularmente perversas para a inflação sentida pela população de baixa renda.
A expectativa para o próximo ciclo é de cautela. Com o início do segundo semestre, a demanda tende a se manter estável, mas os analistas de mercado acompanham de perto a política de preços das refinarias e o comportamento do frete na época das chuvas, que pode encarecer a logística. A próxima divulgação dos indicadores do Procon está marcada para meados de julho, quando teremos um panorama mais claro se essa alta de junho foi uma pontualidade ou o início de uma nova tendência de alta.
Renato Lobo
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



