Capivara é baleada e fica paraplégica às margens do Lago Azul em Araguaína
Veterinários encontraram dois projéteis no corpo do animal; BPMA encaminhou evidências para investigação.
Uma equipe do 4º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) deslocou-se na tarde desta segunda-feira (25) para as margens do Lago Azul, no setor Nova Araguaína, no norte do Tocantins, após receber uma denúncia anônima sobre um animal ferido. A informação inicial, passada via telefone ao disque-denúncia, classificava o caso como um possível atropelamento de fauna silvestre na via de acesso ao espelho d'água.
Ao localizar o animal, os militares constataram que se tratava de um exemplar de capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) que se encontrava imóvel na vegetação ciliar. O roedor apresentava sinais de dor, mas a principal alteração clínica era a ausência de sensibilidade e motricidade nos membros posteriores. Devido às condições de acesso e ao estado do animal, a guarnição efetuou a contenção física e o transporte imediato para o Instituto do Cerrado, entidade referência no atendimento veterinário da região.
No atendimento de emergência, a equipe médica veterinária procedeu à estabilização do paciente e solicitou exames complementares. O raio-X e a avaliação física revelaram a presença de dois orifícios de entrada de projétil de arma de fogo na região torácica e lombar do animal. Os médicos identificaram que os projéteis causaram lesões traumáticas na medula espinhal, resultando em um quadro de paraplegia irreversível. A hipótese de atropelamento foi integralmente descartada pelo laudo técnico.
O fato foi reclassificado pela Polícia Militar como crime de maus-tratos e disparo de arma de fogo, tipificados na legislação ambiental. Os militares responsáveis pelo resgate lavraram o registro de ocorrência e preservaram o local para perícia, embora as condições climáticas tenham dificultado a coleta de vestígios de rastros na lama. O material clínico — incluindo o relatório detalhado das lesões — e as evidências balísticas mapeadas foram encaminhados à Delegacia Especializada de Meio Ambiente e Urbanismo (Demau) da Polícia Civil.
A investigação, agora sob responsabilidade da polícia judiciária, visa identificar o autor dos disparos. Não há câmeras de monitoramento na área específica do Lago Azul onde o animal foi encontrado, o que torna as informações de moradores da região fundamentais para o prosseguimento do inquérito. A Polícia Militar Ambiental informou que vai intensificar as rondas ostensivas no entorno do lago nos próximos dias como medida de contenção.
O biólogo responsável pelo monitoramento da fauna local destacou que o Lago Azul é uma área de sobreposição entre o ambiente urbano de Araguaína e o habitat natural da capivara. No entanto, ressaltou que a natureza do ferimento aponta para uma ação intencional e não para um acidente casual de trânsito, conforme alegado na denúncia inicial.
O animal permanece internado no Instituto do Cerrado. Devido à gravidade da lesão medular, a equipe veterinária descarta o retorno à vida livre, pois a falta de mobilidade impede a alimentação adequada e a defesa contra predadores naturais. A instituição avalia a transferência da capivara para um centro de triagem de fauna silvestre ou zoológico licenciado, onde receberá cuidados vitalícios.
O crime de disparo de arma de fogo contra animal silvestre é tipificado no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), prevendo pena de detenção de três meses a um ano e multa. A Polícia Civil aguarda o resultado final dos exames para dar andamento às investigações.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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