Carmina Burana chega ao Teatro Amazonas em julho com espetáculo cênico
Espetáculo com coro, percussão e solistas locais traz a obra-prima de Carl Orff ao palco histórico do Teatro Amazonas no dia 11 de julho.
O baque surdo dos timbales promete tremer as almofadas de veludo do Teatro Amazonas. No dia 11 de julho, o ar condicionado central vai lutar para esfriar a temperatura de uma plateia que vai testemunhar Carmina Burana, a cantata cênica que transformou poemas de monges desregrados do século XIII em um dos hinos mais poderosos da música clássica mundial. Não é apenas um concerto; é um choque de ritmos que chega a Manaus para provar que a floresta também respira ópera, percussão e fortuna.
A obra de Carl Orff tem a capacidade de entrar pela pele antes de chegar aos ouvidos. É música para ser sentida no peito, com aquela abertura famosa, 'O Fortuna', que começa pianíssimo e explode como um trovão. Em Manaus, sob a regência do maestro Fabiano Cardoso, a montagem promete resgatar essa dramaticidade. O projeto In Concert, idealizado pelo tenor Miquéias William, junta fôlego para trazer uma formação robusta: coro infantil, cinco percussionistas, dois pianistas e uma tríade de vozes solistas que promete ascender e descer as escalas emocionais da plateia.
No palco, a soprano Dhjana Nobre e o tenor Cristiano Silva dividem a responsabilidade com o barítono carioca Inácio de Nonno. São vozes que precisam rasgar o véu da rotina para contar histórias de amor lascivo, da mudança das estações e da roda da fortuna que gira, impiedosa, elevando reis e jogando-os ao chão. É um texto medieval, mas que soa contemporâneo na sua crueza e na celebração dos prazeres simples da vida — o vinho, a mesa farta, a primavera.
O que faz essa apresentação especial não é apenas a fama da partitura, mas onde ela vai acontecer. O Teatro Amazonas, com sua cúpula envidraçada e sua história entrelaçada com o ciclo da borracha, oferece uma acústica que perdoa poucas falhas e exalta qualquer verdade. É o palco ideal para uma obra que fala da natureza e do destino. O coro infantil adiciona uma camada de inocência que contrasta com a intensidade adulta dos poemas dos goliardos — estudantes vagabundos e clérigos que contestavam a moralidade da época.
Para quem acha que música erudita é coisa de sala com ar condicionado frio e gente quieta, Carmina Burana vem para quebrar o protocolo. É espetáculo cênico, é teatral, é o som do corpo humano e do metal se encontrando. A produção de Miquéias William busca essa conexão direta, tirando a poeira da formalidade sem perder a grandiosidade que a obra exige.
O encontro é dia 11 de julho, sexta-feira, às 20h. O palco do Teatro Amazonas, no Centro de Manaus, será o ponto de encontro para quem quer ouvir a fortuna rodar. Os ingressos já estão à venda e a dica é chegar cedo, não só para garantir o lugar, mas para sentir a respiração do teatro antes da primeira batuta.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



