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Nortícia CulturaConta Um Conto 2026

Jovens da Amazônia escrevem sobre crise climática em concurso de contos

Estudantes de 11 a 17 anos narram desafios como secas e garimpo no projeto que premia textos sobre Agenda 2030.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
18 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 469 palavras
Estudante escreve em caderno durante aula em escola de Manaus.
Estudantes de 11 a 17 anos narram desafios como secas e garimpo no projeto que premia textos sobre A · Foto: Redação Nortícia

O som do lápis grafite raspando o papel pautado é o único ruído na sala. Lá fora, o calor úmido de Manaus amassa o concreto, mas aqui, dentro das linhas cadernadas de Ana Beatriz, 14 anos, o fogo da floresta se controla com o final de uma frase. Ela é uma das vozes jovens que transformaram a tarefa de casa em testemunho. O tema da vez era "O Conto, a Amazônia e a Agenda 2030", mas o que vazou na ponta da caneta foi a urgência de quem mora no epicentro da crise climática e não precisa ler relatórios da ONU para saber que o rio está baixando.

A edição 2026 do projeto "Conta Um Conto" não se resume a uma competição de redação escolar. É um arquivo vivo do que a geração que está crescendo hoje entende — e sente — sobre o seu território. Jovens de 11 a 17 anos, espalhados pelos estados da Amazônia Legal, enviaram textos que ignoraram o clichê da floresta eterna e intocada. Eles escreveram sobre o que vem do lado de dentro: a fumaça que encobre o sol, o medo da seca que demora a passar, o garimpo que invade a margem e a promessa de uma bioeconomia que ainda está por vir.

"A literatura aqui não é fuga, é resistência", avalia o corpo pedagógico da Fundação Rede Amazônica (FRAM), que idealiza o projeto com o apoio do Colégio Lato Sensu. O processo de avaliação foi cirúrgico. Educadores e especialistas leram centenas de histórias procurando não apenas a correção gramatical, mas a originalidade de um olhar que nasceu e cresceu sob a copa das árvores — ou onde elas já foram derrubadas.

Nos contos finalistas, a educação ambiental deixa de ser um conceito abstrato de cartilha para virar personagem. Há narrativas de cheias que levam tudo, de animais que mudam de comportamento e de comunidades que reinventam o jeito de viver. A Agenda 2030, tão discutida em gabinetes de Brasília, aparece nos textos desses estudantes como uma lista de afazeres domésticos: preservar é o mesmo que guardar a comida do jantar.

Os vencedores deste mapa imaginário foram anunciados nesta quinta-feira (18). Agora, o passo seguinte é sair do papel e ocupar o palco. A cerimônia de premiação, que reúne estudantes, familiares e mestres, está marcada para o dia 1º de julho, às 14h. É o momento de ouvir, em voz alta, o que essa nova geração tem a dizer sobre o futuro da região.

O encontro acontece no auditório do Colégio Lato Sensu, em Manaus. Quem quiser ouvir a Amazônia contada por quem vai carregar o peso — e a beleza — dela nas próximas décadas, deve marcar presença. A entrada é franca e a promessa é de tarde de histórias onde a esperança, dizem os alunos, cabe num parágrafo bem escrito.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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