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Casa Som Amazônia abre inscrições para cursos de voz e instrumentos em Manaus

Espaço em Adrianópolis oferece aulas de canto coletivo, piano e curso de voz para profissionais no segundo semestre.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
02 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 524 palavras
Sala de aula com piano de parede e partituras espalhadas sobre o instrumento em Manaus.
Espaço em Adrianópolis oferece aulas de canto coletivo, piano e curso de voz para profissionais no s · Foto: Redação Nortícia

O piano da sala 2 da Casa Som Amazônia ainda guarda o calor dos dedos do aluno anterior. No bairro de Adrianópolis, zona sul de Manaus, o tique-taque do metrônomo divide o espaço com o som da chuva batendo na lona de um barracão vizinho, enquanto a diretoria ajusta as fichas para o próximo ciclo. Não é apenas uma escola de música; é um laboratório onde o som se transforma em ferramenta de trabalho e onde a madeira dos instrumentos dialoga com a madeira das casas da floresta.

As inscrições para o segundo semestre de 2026 estão abertas, trazendo novidades que vão além do dó-ré-mi tradicional. A Casa Som Amazônia expandiu a sua grade: agora há Canto Coletivo para crianças a partir de 8 anos e adultos, além das primeiras notas de iniciação em piano e violão. Mas é na ponte técnica entre a música e a fala profissional que a novidade mais ressoa neste calendário. É lá que a voz deixa de ser apenas melodia para se tornar instrumento de persuasão e conforto.

Ellen Fernandes, cantora, pesquisadora e educadora musical, assume o comando do Curso de Voz e Comunicação. Ellen não ensina apenas a projetar a voz; ensina a habitá-la, a entender a ressonância do próprio corpo no meio da umidade amazônica. O curso é desenhado como um forno para quem usa a palavra como matéria-prima diária: jornalistas que precisam ler notícias com clareza, professores que precisam manter a atenção de uma sala barulhenta, médicos que precisam dar diagnósticos delicados ou líderes que comandam equipes.

"Trabalhamos a comunicação de forma integrada", explica Ellen sobre a metodologia que será aplicada. O método mistura análises técnicas com exercícios vocais que parecem jogos de improvisação, passando pela leitura dramática, expressão corporal e pela performance diante da câmera. O objetivo não é a perfeição estética do canto lírico, mas a descoberta de novas possibilidades de expressão que cada um carrega na garganta, muitas vezes abafada pelo ruído da rotina.

Para as crianças e iniciantes, as aulas de piano e violão prometem o primeiro contato com a disciplina harmônica. É o som da madeira sendo martelada, das cordas beliscadas, o início de uma escuta fina que Manaus tanto cultiva. No Canto Coletivo, a experiência é outra: é a construção da harmonia em grupo, o sentir o outro respirar para entrar na nota certa, um exercício de cidadania tanto quanto musical.

A Casa Som, consolidada como ponto de cultura na maior cidade da floresta, entende que Manaus precisa de mais do que industriais; precisa de vozes articuladas. As vagas, como as oportunidades na cidade, são disputadas e se esvaem rápido. O preenchimento é por ordem de chegada, num sistema de fila que dispensa burocracia digital excessiva: basta o interesse e o telefone em mãos.

Para garantir o lugar na turma de Ellen ou nas primeiras aulas de violão, o contato deve ser feito diretamente com a secretaria. As aulas começam no segundo semestre, trazendo um ritmo novo para o cotidiano da cidade. Quem sabe, ao final, o som do metrônomo não vira o trampo seguro de um novo profissional, confiante não apenas no que diz, mas em como diz.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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