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Junho tem chuvas acima da média no AM e dias de calor em Manaus

CPTEC aponta volume de chuva acima da média em partes do estado; capital enfrenta dias abafados e temperaturas superiores ao esperado.

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Bianca Aroucha
Amazonas · AM
06 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 617 palavras
Vista do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, próximo a Manaus, com céu nublado.
CPTEC aponta volume de chuva acima da média em partes do estado; capital enfrenta dias abafados e te · Foto: Redação Nortícia

A umidade colou na pele desde o raiar do dia. Em Manaus, o sol apareceu tímido por entre a neblina que cobre as águas barrentas do Solimões, mas não trouxe aquele frescor que se espera nas primeiras horas da manhã. O ar está parado, pesado, como se a floresta estivesse retendo a respiração antes de um suspiro longo e quente. É o início de junho, mês que, no calendário dos ribeirinhos e nos mapas meteorológicos, marca a porta de entrada para o período menos chuvoso, o tempo em que o rio recua e deixa as praias de areia branca descobertas. Mas este ano de 2026 parece decidido a não seguir o roteiro habitual.

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), está monitorando uma anomalia que desenha o céu do Amazonas com tons diferentes da média histórica. Enquanto a expectativa natural é que as nuvens carregadas comecem a rarear, os modelos climáticos indicam que a chuva deve insistir em boa parte do território. Especificamente no sudoeste e no centro-leste do estado, a precipitação deve acumular volumes entre 5 milímetros e 60 milímetros acima do que é esperado para este mês. É água extra que alimenta os igarapés e mantém o solo encharcado, alterando o ritmo da roça e da pesca.

Para quem vive na capital, a sensação predominante não será apenas de chuva, mas de calor intenso. Os mapas térmicos do CPTEC mostram que Manaus deve enfrentar temperaturas entre 1°C e 2°C acima da média histórica para esta época do ano. A meteorologista Andrea Ramos explica que, diferentemente de outras regiões do país, onde o inverno é sinônimo de frio, o inverno amazônico é definido apenas pelo volume de água. Quando esse volume se mistura a uma elevação térmica, o resultado é o que os manauaras chamam de "abafamento": aquele manto úmido e quente que envolve a cidade e faz o suor escorrer sem parar.

O cenário desenhado para as próximas semanas é de alternância. A previsão aponta para dias secos intercalados com pancadas rápidas de chuva, geralmente isoladas e concentradas no final da tarde. São as chamadas "chuvas de verão" que surgem repentinamente, carregando trovoadas e rajadas de vento que balançam as árvores das avenidas e refrescam, por breves minutos, o asfalto quente. É um ciclo caprichoso, que exige das pessoas o olhar atento para o céu antes de sair de casa, mas que também renova a verde da mata urbana.

Essa variação climática, embora pareça pequena nos números dos boletins técnicos, tem efeito concreto no cotidiano das comunidades do interior e na logística da cidade. As viagens fluviais podem ser impactadas por quedas de árvores nas margens, fortalecidas por um solo ainda instável, e a sensação térmica desconfortável exige cuidados redobrados com a hidratação e o trabalho ao ar livre. A meteorologista reforça que o início da fase menos chuvosa não significa, de forma alguma, a ausência total de precipitação na Amazônia. A floresta não vive de extremos, mas de transições, e este junho será um mês de transição lenta, molhada e quente.

Ao fim da tarde, quando as nuvens negras começam a se acumular no horizonte, cortando o vermelho do poente, é possível perceber que o clima não é apenas um dado estatístico. É o vento que muda de direção, é o cheiro de ozônio que antecede a tempestade, é a cidade que se prepara para mais um banho coletivo. O rio Negro continua seu curso, lento e escuro, recebendo essas águas do céu que insistem em cair fora do tempo, lembrando a todos que na Amazônia a natureza dita o passo, e a ciência se limita a tentar traduzir a linguagem das nuvens.

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◆ Repórter · Nortícia Amazônia

Bianca Aroucha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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