Empresário é preso suspeito de estupro e exploração de adolescentes em Manaus
Polícia Civil investiga caso onde investigado usava promessas de emprego e viagens para atrair vítimas vulneráveis.
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (3), uma operação que culminou na prisão de um empresário de 55 anos. O homem é suspeito de cometer estupro, exploração sexual e importunação sexual contra três adolescentes do sexo masculino, com idades entre 15 e 17 anos. A ação foi conduzida por delegados da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), unidade responsável pelo apuramento de crimes contra a dignidade sexual de menores no estado.
Conforme consta no auto de prisão em flagrante, as investigações tiveram início após a mãe de uma das vítimas comparecer à delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência. A família relatou que o adolescente sofria ameaças e chantagens por parte do investigado. Durante as diligências, a autoridade policial identificou a existência de outras duas vítimas que teriam sido aliciadas pelo mesmo modus operandi.
O delegado responsável pelo inquérito relatou que o suspeito utilizava a sua condição de empresário para ganhar a confiança das famílias e das vítimas. O investigado teria se aproximado dos adolescentes oferecendo benefícios materiais, explorando a condição de vulnerabilidade socioeconômica dos jovens. Segundo a polícia, as promessas envolviam o pagamento de quantias em dinheiro, a doação de aparelhos celulares, a oferta de viagens internacionais e a promessa de contratação formal em suas empresas.
As investigações indicam que os benefícios funcionavam como moeda de troca para convencer os adolescentes a se encontrarem com o empresário em locais isolados ou em residências. Após o aliciamento, ocorriam os abusos sexuais. A polícia apura ainda se o suspeito filmava ou fotografava as vítimas durante os atos, prática comum em crimes de exploração sexual para garantir o silêncio das vítimas através da intimidação.
Juridicamente, os crimes imputados ao investigado configuram violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável, visto que as vítimas são menores de 18 anos e o suspeito utilizou promessas para obter a concessão da conjunção carnal. O Código Penal prevê penas que podem variar de oito a vinte anos de reclusão para os delitos de estupro de vulnerável, com aumento de pena se o crime é cometido com o fim de alcançar vantagem econômica.
Após a prisão, o empresário, identificado pelas iniciais J.S.S., foi encaminhado à Central de Flagrantes da PC-AM. O procedimento de lavratura do auto de prisão seguiu os trâmites legais, com a participação da defesa técnica constituída. A delegacia decidiu pela manutenção da custódia, e o preso foi transferido para o sistema prisional provisório, aguardando a realização da audiência de custódia, onde o juiz analisará a legalidade da prisão e a necessidade de medidas cautelares.
A Defensoria Pública, que acompanha o caso, manifestou-se sobre a necessidade de observância do contraditório durante a fase inquisitorial. Os autos do inquérito serão enviados ao Ministério Público Estadual (MP-AM) para a análise da formação da opinio delicti. O caso tramita em segredo de Justiça, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para preservar a identidade e a integridade psicológica das vítimas.
Procurada pela reportagem para se posicionar sobre as acusações detalhadas no inquérito, a defesa do empresário informou que ainda estava estudando o conteúdo do auto de prisão e declinou a fazer comentários públicos nesta etapa processual.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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