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Nortícia AmazôniaDestruição no Cerrado

Garimpo ilegal é flagrado e área é embargada em Chapada da Natividade

Multado em R$ 356 mil, produtor rural tinha estrutura de extração e armas apreendidas pela PM Ambiental no Tocantins.

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Bianca Aroucha
Tocantins · AM
03 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 402 palavras
Terreno aberto com terra remexida e equipamentos de garimho abandonados em Chapada da Natividade.
Multado em R$ 356 mil, produtor rural tinha estrutura de extração e armas apreendidas pela PM Ambien · Foto: Redação Nortícia

O som das bombas d'água não conhece limites de bioma. Em Chapada da Natividade, no coração do Tocantins, o solo do Cerrado foi sendo remexido, camada por camada, em busca do ouro escondido nas entranhas da terra. A Polícia Militar Ambiental encontrou, na terça-feira (2), a cicatriz dessa cobiça: uma estrutura montada para a extração ilegal, longe dos olhos, mas não longe do impacto.

O Cerrado não é a floresta densa, mas é a nascente das águas que a alimentam. Ali, na região central do estado, um fazendeiro — cujo nome permanece nos registros sigilosos do inquérito — mantinha dois motores-bomba trabalhando. A tecnologia do garimpo é rudimentar na forma, mas brutal na consequência: as bombas sugam a água e a lama, desmontando a estrutura geológica de séculos em poucos dias. Ao lado, um carro estacionado esperava o transporte do minério, e armas guardavam o segredo.

A violência contra a natureza raramente viaja sozinha. No flagrante, além dos equipamentos de extração sem licença, os militares apreenderam uma arma de fogo de uso permitido e munição. O garimpo ilegal muitas vezes se armada para proteger o roubo, transformando a área rural em um território de medo. A multa aplicada somou R$ 356 mil, dividida em R$ 350 mil pela extração e R$ 6 mil por danos, mas o cálculo do prejuízo ambiental é mais complexo de dimensionar.

Chapada da Natividade fica em uma zona de transição, onde o Cerrado toca o que sobrou da mata. Embargada pelo Naturatins, a área degradada agora carrega o selo oficial do crime, mas o buraco na terra permanece. O embargo paralisa a atividade, mas não apaga a memória da retirada do material. O solo exposto, sem a vegetação que o protegia, fica à mercê da erosão, e a lama turva tende a escorrer para as nascentes locais.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público. A justiça vai cobrar a conta financeira do fazendeiro, mas o território já pagou a parte ecológica. No Cerrado do Tocantins, a recuperação de uma área degradada por garimpo pode levar décadas, se é que um dia ela volta a ser exatamente o que era antes das bombas ligarem.

Quando as bombas se calaram com a chegada da polícia, o silêncio que restou em Chapada da Natividade foi de alerta. A terra marcada pelas escavadeiras mostra que o ouro, quando arrancado ilegalmente, deixa um rastro de pobreza no solo onde antes havia vida.

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◆ Repórter · Nortícia Amazônia

Bianca Aroucha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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