Polícia prende grupo que usava drones para introduzir ilícitos no Iapen
A 11ª fase da operação apontou que aeronaves são usadas em 80% das entradas de proibidos na unidade; quatro pessoas foram detidas em Macapá.
A Polícia Civil do Amapá prendeu na manhã desta terça-feira (26) quatro pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa que utilizava drones para introduzir ilícitos no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), em Macapá. As prisões ocorreram durante ações de inteligência vinculadas à 11ª fase da Operação Mute, deflagrada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesep). A investigação aponta que o grupo era responsável pelo fornecimento de tecnologia de ponta aos presos, incluindo celulares e equipamentos de comunicação.
Segundo o inquérito policial instaurado na Delegacia Especializada em Repressão ao Crime Organizado (Derco), a quadrilha empregava aeronaves remotamente pilotadas para driblar a segurança perimetral da unidade prisional. A estimativa da diretoria do Iapen, com base nos registros de apreensão dos últimos seis meses, aponta que o espaço aéreo responde por 80% da entrada de objetos proibidos atualmente, substituindo antigos mecanismos de suborno ou arremesso manual.
Durante a abordagem realizada nas proximidades do complexo penitenciário, agentes apreenderam quatro drones de alta tecnologia, equipados com GPS e câmeras de alta resolução. A polícia também encontrou relógios inteligentes, diversos celulares, carregadores e uma quantia em dinheiro não especificada no boletim de ocorrência. Um detento, identificado nos autos como o destinatário principal da encomenda, foi isolado pela administração do presídio para averiguações.
O diretor-presidente do Iapen, Luiz Carlos Gomes, classificou o uso de drones como o novo vetor de risco crítico para o sistema prisional. “Hoje, nossa maior vulnerabilidade é o espaço aéreo. As organizações compram drones, sobrevoam o presídio e arremessam materiais. Cerca de 80% do que entra no Iapen chega por esse meio”, afirmou o gestor. Ele lembrou que, em fases anteriores da Operação Mute, a apreensão de até 300 celulares em uma única ação era recorrente, indicando uma mudança no perfil logístico do crime.
A investigação revelou que as facções criminosas estão investindo pesado em tecnologia para manter o comando interno. Os relógios inteligentes e celulares de última geração permitem a comunicação encriptada, dificultando a interceptação pelas autoridades. O custo dos drones é compensado pela redução do risco de prisão em flagrante de quem está fora da cadeia, pois o lançamento pode ser feito a distância segura.
O uso de drones para tráfico em presídios tem crescido exponencialmente na região Norte devido à densidade florestal e às dificuldades de vigilância perimetral convencional. O modus operandi permite que as facções mantenham a estrutura de comando sem o contato físico com visitantes ou agentes públicos. A Sesep estuda a aquisição de equipamentos de neutralização de sinal e bloqueadores de frequência específicos para combater essa ameaça.
Os quatro presos em flagrante foram conduzidos à Delegacia Especializada em Repressão ao Crime Organizado (Derco). A investigação aponta infrações ao artigo 14 da Lei de Execução Penal (posse de objeto proibido) e associação para o tráfico. Até o fechamento desta matéria, a defesa dos indiciados não havia sido manifestada oficialmente nos autos. A próxima etapa processual inclui a audiência de custódia e o envio do relatório circunstanciado ao Ministério Público para oferecimento da denúncia.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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