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Nortícia SegurançaInvestigação de Homicídio

Suspeito é preso após morte de homem a golpes de espada em Vilhena

Vítima, de 36 anos, era colombiana. Autor alegou legítima defesa após discussão sobre pagamentos no centro da cidade.

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Diego Câmara
Rondônia · AM
05 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 660 palavras
Viatura da Polícia Civil e fita de isolamento em via pública do Centro de Vilhena.
Vítima, de 36 anos, era colombiana. Autor alegou legítima defesa após discussão sobre pagamentos no · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Civil de Rondônia prendeu em flagrante na madrugada desta sexta-feira (5) um homem de 22 anos suspeito de cometer homicídio na noite anterior, no Centro de Vilhena. A vítima, identificada como o colombiano Gabriel José Arrieta Jimenez, de 36 anos, morreu no local após ser atingida por múltiplos golpes de arma branca, conforme registrado no Boletim de Ocorrência (BO) lavrado na delegacia local.

Segundo o delegado responsável pelo caso, a autoridade policial foi acionada por volta das 22h de quinta-feira (4) para atender a uma ocorrência de agressão em via pública. Ao chegar ao endereço indicado, a equipe encontrou o corpo da vítima. Peritos do Instituto de Criminalística (IC) isolaram a área e recolheram a arma utilizada no crime, descrita como uma espada, que foi apreendida para exames periciais. Também foi localizado um facão, que o suspeito afirmou pertencer à vítima.

O detido, identificado pelas iniciais F.S.O.S., ouvido em depoimento na delegacia, relatou que o conflito teria início em uma discussão de cunho trabalhista. Segundo a versão apresentada, ele trabalhava para a vítima na atividade de cobrança de dívidas e a desavença girava em torno de pagamentos devidos. A discussão evoluiu para uma luta corporal, momento em que F.S.O.S. alegou que Gabriel José teria sacado o facão e tentado atingi-lo.

Em seu interrogatório, o suspeito sustentou tese de legítima defesa. Ele informou que conseguiu desviar do ataque inicial, reagindo em seguida com a espada que portava. Segundo o BO, F.S.O.S. afirmou ter desferido dois golpes que derrubaram a vítima no chão. A investigação apura, contudo, se houve excesso na reação, visto que o suspeito confessou ter continuado a golpear Gabriel José, principalmente na região craniana, enquanto ele já se encontrava no solo.

A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou o óbito no local. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Vilhena para a necropsia, que deverá confirmar a causa mortis, a natureza das lesões e se elas são compatíveis com a versão de confronto físico alegada pelo autor. Laudos toxicológicos também foram solicitados para verificar se as partes envolvidas estavam sob efeito de álcool ou outras substâncias.

Procurada pela reportagem, a defesa de F.S.O.S., manifestada através da Defensoria Pública, informou que aguardará o periciamento do IML e do IC para fundamentar a tese de legítima defesa. O advogado de plantão ressaltou que o cliente teria agido sob forte emoção e temor pela própria vida, diante da iniciativa do ataque por parte da vítima. A defesa também protocolou pedido de relaxamento da prisão em flagrante, argumentando pela moderação da conduta, a ser analisado pela Justiça.

O caso ganha contorno de investigação complexa devido à atividade profissional relatada pelo suspeito. A Polícia Civil verifica se a atividade de cobrança de dívidas exercida pela dupla ocorria de forma legal ou se há indícios de extorsão e coação. Agentes estão cruzando dados para identificar se existem outras vítimas ou registros de ocorrência envolvendo o grupo em outras cidades de Rondônia ou na divisa com o Acre, dado o trânsito de pessoas na região.

Vilhena figura entre os municípios de Rondônia com maior índice de registros de violência letal nos últimos anos, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Homicídios derivados de conflitos interpessoais e disputas de rua representam parcela significativa desses números. O uso de espadas, embora menos frequente que o de armas de fogo ou facas comuns, não é inédito nos registros da polícia do estado, geralmente ligado a situações de briga de rua ou resolvedora de conflitos.

O inquérito policial foi instaurado para apurar a materialidade e a autoria do delito tipificado no artigo 121 do Código Penal. O suspeito deve ser levado à audiência de custódia nas próximas horas, quando a Justiça avaliará a legalidade da prisão e a necessidade de manutenção da medida cautelar. O Ministério Público Estadual será intimado a se manifestar sobre o caso, podendo oferecer denúncia ou requerer diligências complementares para esclarecer a dinâmica dos fatos.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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