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Irmã recorda trajetória feliz da cantora gospel Ana Clézia, morta em Palmas

Laudicéia Arquivo lembra os anos de parceria e fé ao lado da irmã, cantora que lutou por 15 anos contra doenças no fígado mas manteve o brilho nos palcos do Tocantins.

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Karina Pinheiro
Tocantins · AM
08 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 458 palavras
Microfone de pedestal iluminado por luz suave em palco de igreja em Palmas.
Laudicéia Arquivo lembra os anos de parceria e fé ao lado da irmã, cantora que lutou por 15 anos con · Foto: Redação Nortícia

O microfone ainda guarda o calor da respiração de Ana Clézia. Em Palmas, nos auditórios de igrejas e nos estúdios caseiros onde a dupla evangélica Ana Clézia e Laudicéia Arquivo gravava seus louvores, o silêncio agora é ocupado pela memória de uma voz que, por 38 anos, encontrou melodia mesmo onde só havia dor. A irmã e parceira de mic, Laudicéia, não se deixa abater pelo eco vazio; ela escolhe ouvir a harmonia que ficou. “Mesmo sofrendo muito com a partida da minha irmã, tudo que eu lembro dela me faz sorrir e ter alegria por saber que a minha irmã foi muito feliz”, conta ela, com a certeza de quem partilhou o pão e o altar.

A música gospel no coração do Brasil tem essa característica visceral: nasce da necessidade de exprimir o inexprimível. Com Ana não era diferente. Há 15 anos, ela carregava uma cruz pesada, um diagnóstico de doença no fígado que exigia cuidado constante e uma fé maior que a própria medicina. Mas a dor crônica não rouba o tom da quem canta para além do próprio corpo. Ana convivía com o lúpus, a artrite reumatoide, a colite e a retocolite ulcerativa — cinco doenças autoimunes que atuavam como uma banda desafinada tentando roubar a protagonista. Mesmo assim, subia ao altar.

A recomendação médica era um transplante, uma chance de trocar o motor que falhava. Mas, na sabedoria de quem vive o corpo como um templo sagrado e frágil, Laudicéia reflete sobre a decisão que não foi tomada. “Se tivesse feito o transplante, a Ana teria vivido o mesmo tempo que viveu. Porque todas essas doenças iriam atacar o fígado dela novamente”, explica. A frase não é de revolta, mas de aceitação. “Ana teve o mesmo tempo de vida que uma pessoa transplantada vive e ela foi feliz. Minha irmã foi feliz”.

Nas redes sociais, onde a fé contemporânea também se cultiva, Ana deixava rastros dessa alegria. Ativa até 15 de abril, ela mostrava aos seguidores não apenas os momentos de glória no palco, mas o cotidiano de quem luta a cada amanhecer. É nesse cotidiano que a arte se transforma em resistência. A dupla não fazia apenas música; fazia comunidade. Quando duas irmãs cantam juntas, a afinidade vocal é apenas o pretexto para o que é, na verdade, um reencontro constante de almas.

Palmas perdeu uma de suas vozes, mas o Tocantins guarda a gravação dessa história. A memória de Ana Clézia segue viva na voz de Laudicéia e nos corações daqueles que, ao ouvirem um louvor, lembram que a felicidade não é medida pelos anos no calendário, mas pela intensidade do canto enquanto a garganta permite. Na cadência do tempo de Deus, como se diz nos círculos evangélicos, ela cumpriu seu solo.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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