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Humberto Guedes, ex-governador do Território de Rondônia, morre aos 103 anos

Coronel do Exército governou o estado entre 1975 e 1979, durante a ditadura militar, e faleceu em Brasília nesta quinta-feira (18).

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Eliana Castro
Rondônia · AM
18 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 481 palavras
Foto oficial de Humberto Guedes em uniforme militar durante o período em que governou Rondônia.
Coronel do Exército governou o estado entre 1975 e 1979, durante a ditadura militar, e faleceu em Br · Foto: Redação Nortícia

Humberto da Silva Guedes morreu nesta quinta-feira (18), aos 103 anos, em Brasília. Ex-governador do Território Federal de Rondônia, ele representa o período da ocupação militar e da estruturação administrativa que antecedeu a emancipação política do atual estado.

O falecimento de Guedes marca o encerramento de um ciclo fundamental da história rondoniense, relembrando a era em que o poder executivo era centralizado pelo Planalto e a segurança nacional dava o tom do desenvolvimento amazônico. Sua gestão coincidiu com o afluxo migratório que transformou a demografia e a economia da região.

A figura do governador de território, uma categoria extinta na Constituição de 1988, detinha poderes distintos dos atuais governadores. Nomeados diretamente pelo Presidente da República, eles não respondiam a um legislativo local eleito, mas ao Congresso Nacional e ao regime militar. Guedes assumiu essa posição em 1975, sob a tutela do general Ernesto Geisel.

Coronel do Exército, Guedes encontrou em Rondônia um cenário de explosão demográfica impulsionado pela abertura de rodovias federais, como a BR-364. O desafio não era apenas governar, mas criar a estrutura de Estado onde antes havia apenas municípios esparsos e fluvialidade. Seu mandato, que se estendeu até 1979, focou no desenho dessa máquina pública e no ordenamento urbano.

A gestão de Guedes insere-se no projeto geopolítico do governo Geisel, que priorizava a integração física da Amazônia como estratégia de soberania nacional. O "Pragmatismo Responsável" da política externa brasileira encontrava no interior um paralelo na ocupação da fronteira. O investimento em infraestrutura e o povoamento dirigido eram vistos como essenciais para garantir a posse sobre a vasta região amazônica.

Durante os quatro anos à frente do executivo, o ex-governador dedicou-se a ações de planejamento urbano e organização administrativa. O período exigia resposta rápida aos desafios da urbanização caótica trazida pela migração. A estruturação institucional que ele ajudou a desenhar serviu de base para a instalação dos primeiros órgãos estaduais após a transformação em estado, ocorrida em 1981.

A despeito da rigidez característica do regime militar, o biografado destacou-se também por iniciativas de cunho social. Em nota divulgada pelo Governo de Rondônia, a administração atual ressaltou o trabalho desenvolvido por Guedes em conjunto com a esposa, Gilsa Guedes, em prol de famílias em situação de vulnerabilidade. Essa atuação buscou mitigar os impactos sociais de uma transição rápida e muitas vezes violenta.

O legado daquele período ainda é visível na malha urbana de cidades como Porto Velho e na própria estrutura burocrática do estado. Críticos e defensores desse modelo de gestão concordam que os anos 1970 definiram o DNA socioeconômico de Rondônia, marcado pela contradição entre o desenvolvimento acelerado e a necessidade de ordenamento fundiário. Guedes foi um dos arquitetos dessa fase.

Com a morte de Humberto Guedes, Rondônia perde uma das últimas testemunhas vivas do processo de transformação de território federal em unidade da federação. O velório do coronel ocorre na capital federal, onde ele residia nos últimos anos.

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◆ Repórter · Nortícia Política

Eliana Castro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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