Polícia impede saque de R$ 250 mil no PA ligado a facção do Amapá
Ação conjunta identificou mais de 50 depósitos em conta de empresa monitorada desde 2025.
Uma ação integrada entre a Polícia Civil do Amapá (PCAP) e a Polícia Civil do Pará (PCPA) impediu nesta quinta-feira, 5, o saque de R$ 250 mil em uma agência bancária em Tomé-Açu, no interior paraense. A operação, denominada Rastro, cumpriu dois mandados de busca e apreensão e visa desarticular um canal de lavagem de dinheiro vinculado a uma facção criminosa com base no Amapá. O contingente policial seguiu o rastro de recursos que transitavam entre os dois estados, indicando uma sofisticação na gestão do capital do crime organizado.
De acordo com o Departamento de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), a conta bancária alvo da operação pertence a uma pessoa jurídica que entra no radar das investigações desde 2025. A inteligência policial detectou um padrão de movimentação financeira atípico: mais de 50 depósitos em espécie haviam sido feitos recentemente na conta, o que levantou suspeitas sobre a origem do numerário. A tese da acusação é de que a empresa funcionava como um "laranja" para ocultar valores obtidos com o tráfico de entorpecentes, prática conhecida como "engomar" dinheiro.
O nome "Operação Rastro" não é casual. A estratégia policial focou no rastreamento bancário e na análise de fluxo de caixa para identificar a ponta da meada. No momento da ação em Tomé-Açu, a equipe buscou interceptar o momento da retirada do dinheiro, visando flagrar os responsáveis pela gestão desses recursos. Além de impedir o saque, a polícia apreendeu aparelhos celulares e documentos administrativos da empresa que serão submetidos a perícia técnica. O objetivo é estabelecer o nexo entre os titulares da conta e os comandantes da facção amapaense.
O cruzamento de dados entre o Amapá e o Pará revelou uma logística de expansão do crime organizado que ultrapassa as fronteiras estaduais. O uso de contas empresariais em cidades do interior do Pará sugere uma tentativa de blindar o dinheiro contra o monitoramento intensificado na capital amapaense. Especialistas em segurança pública apontam que o desmonte das estruturas financeiras é uma das formas mais eficientes de combater o poderio das facções, pois corta o financiamento para a compra de armas e o pagamento de "soldados".
As investigações estão sob sigilo judicial, mas já apontam para a prática dos crimes de lavagem de capitais e organização criminosa. Não há informações sobre prisões realizadas até o momento nesta fase específica da operação. A Draco informou que o trabalho de inteligência continua para mapear se há outras contas e empresas envolvidas na mesma rede financeira. A defesa dos investigados, caso constituída, será intimada a apresentar resposta aos indícios colhidos. O caso deve seguir para análise do Ministério Público dos dois estados para a oferta de denúncia.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



