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PC-AM investiga compositor do Garantido por golpe em ingressos de Parintins

Investigado por estelionato, P.P.N.B. é acusado de não entregar ingressos vendidos por R$ 70 mil a grupo de turistas para a edição 2026.

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Diego Câmara
Amazonas · AM
02 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 608 palavras
Entrada do Bumbódromo em Parintins durante a noite de festival.
Investigado por estelionato, P.P.N.B. é acusado de não entregar ingressos vendidos por R$ 70 mil a g · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) apura denúncia de estelionato contra P.P.N.B., compositor vinculado ao Boi Garantido, pela suposta venda irregular de ingressos para o Festival de Parintins 2026. O inquérito, instaurado na capital, aponta que um grupo de vítimas teria desembolsado cerca de R$ 70 mil em pagamentos que não resultaram na entrega dos títulos para as noites de 27, 28 e 29 de junho no Bumbódromo.

De acordo com o boletim de ocorrência, a relação comercial entre as partes iniciou-se em 2025. Na ocasião, as vítimas adquiriram 13 ingressos através do investigado, que se apresentava como agente capaz de fornecer acesso ao evento. Segundo os depoimentos colhidos pela autoridade policial, a transação foi concluída sem incidentes, com a entrega dos "passaportes" — ingressos que garantem acesso às três noites de apresentação — e o consequente acesso dos compradores ao recinto. O êxito da operação anterior teria servido para consolidar a confiança do grupo no vendedor, motivando uma nova aquisição em maior escala para o ano seguinte.

As negociações para a edição de 2026 teriam se intensificado em dezembro do ano passado. O investigado teria ofertado pacotes para o grupo, exigindo pagamento antecipado para garantir a reserva. As vítimas realizaram as transferências bancárias e pagamentos via Pix para contas indicadas por P.P.N.B. No entanto, à medida que a data do festival se aproximava, o investigado passou a adiar a entrega dos ingressos, alegando problemas logísticos e, posteriormente, deixou de responder aos contatos.

A investigação, que corre em sigilo na Delegacia Especializada em Repressão a Crimes contra o Patrimônio, analisa o fluxo financeiro das transações e os registros de mensagens em aplicativos para comprovar a intenção dolosa. A polícia busca caracterizar se o investigado detinha de fato os ingressos prometidos ou se atuou na revenda irregular sem posse prévia, o que configuraria o crime de estelionato. A estimativa de prejuízo, calculada com base nos comprovantes de pagamento apresentados pelas vítimas, soma R$ 70 mil.

O Festival de Parintins é o maior evento cultural do estado do Amazonas e um dos principais do país. A procura por ingressos é historicamente superior à oferta, gerando um mercado paralelo de revenda que, frequentemente, é alvo de ações criminosas. Anualmente, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) reforça o efetivo policial na cidade para conter a pirataria de ingressos e fraudes. Em edições anteriores, a PC-AM já flagrou quadrilhas especializadas na emissão de falsificações e na venda de bilhetes que já haviam sido utilizados.

O crime de estelionato, tipificado no Artigo 171 do Código Penal, ocorre quando alguém induz ou mantém alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento, em prejuízo alheio ou ao próprio, com o fim de obter para si ou para outrem vantagem ilícita. A pena prevista é de reclusão de um a cinco anos, podendo aumentar se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituição beneficente, o que não parece ser o caso, mas a reincidência e o montante do dano influenciam na sentença.

A equipe de defesa de P.P.N.B. foi procurada pela reportagem para comentar sobre as acusações, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O investigado não foi preso em flagrante e não há mandado de prisão preventiva decretado até o momento, respondendo ao processo em liberdade.

O inquérito policial segue em andamento para a coleta de demais provas e oitiva de testemunhas. Ao final, os autos serão remetidos ao Ministério Público do Amazonas, que avaliará o oferecimento da denúncia. As vítimas podem ingressar com ação de reparação de danos no âmbito cível para tentar recuperar os valores pagos, processo que corre independentemente da esfera criminal.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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