PM apreende adolescente com drogas escondidas em travesseiro em Boa Vista
Polícia Militar encontrou cocaína e maconha com ajuda da cadela Fúria; adolescente foi detido na Zona Oeste da capital.
A Polícia Militar de Roraima (PMRR) realizou na manhã desta terça-feira (2) uma diligência que resultou na apreensão de drogas e na detenção de um adolescente no bairro Professor Araceli Souto Maior, na zona Oeste de Boa Vista. A ação, que contou com o apoio do Canil da corporação, foi desencadeada após a equipe de patrulha perceber atitude suspeita de um jovem de 17 anos, que optou por correr ao avistar a guarnição.
Segundo o registro da ocorrência, a abordagem ocorreu por volta das 10h. Ao notar a presença policial, o adolescente acelerou o passo tentando se evadir, o que, na avaliação dos militares, caracteriza resistência passiva e gera justificativa provável para a intervenção. Alcançado, o jovem alegou medo da abordagem, mas o forte odor de maconha exalado da residência para onde ele se dirigiu alertou os policiais para a necessidade de uma vistoria mais minuciosa.
Foi acionada a cadela policial Fúria, especializada em detecção de entorpecentes. O animal farejou o ambiente interno da casa e indicou a presença de drogas em um cômodo específico. Guiados pela sinalização do cão, os militares procederam à busca e localizaram o estoque enterrado no recheio de um travesseiro. O método de ocultação, segundo peritos, é comum para dificultar a visualização imediata em revistas superficiais.
O material apreendido foi quantificado e periciado na própria residência, sob confecção de auto de constatação. Foram encontrados três pacotes contendo cocaína, cinco tabletes de skank — uma variante da cannabis com alto potencial psicotrópico e valor agregado no mercado ilícito — e porções de maconha tradicional. A carga confiscada sugere atividade de comércio varejista, reforçada pela posse de uma balança de precisão de precisão digital e numerário em espécie.
O dinheiro apreendido totalizou R$ 730 em notas de R$ 100, R$ 20, R$ 5 e R$ 2. A divisão em pequenas cédulas é considerada pela polícia como um indício técnico de "troco" típico de pontos de venda. Durante a oitiva preliminar, o adolescente tentou sustentar a tese de uso próprio, alegando dependência química. Contudo, diante da materialidade — a quantidade de droga e os objetos de fracionamento — ele acabou admitindo a prática do tráfico, informando que revendia a substância para financiar o próprio consumo.
Por se tratar de um indivíduo de 17 anos, a medida socioeducativa será definida pela Vara da Infância e Juventude. O adolescente foi conduzido à unidade policial para a lavratura do Auto de Apresentação de Adolescente Infrator, onde aguarda o encaminhamento ao Ministério Público. Segundo a Lei de Drogas (Lei 11.343/2006), o crime de tráfico é inafiançável e insuscetível de graça para adultos, com penas que variam de cinco a 15 anos de reclusão. No caso de adolescentes, o sistema jurídico brasileiro prioriza a ressocialização, aplicando medidas que variam da advertência à internação, dependendo da gravidade do ato infracional.
A residência onde as drogas foram encontradas fica em uma região residencial de perfil misto, o que preocupa as autoridades devido à proximidade de atividades ilícitas de áreas frequentadas por famílias. O uso de adolescentes no tráfico é uma estratégia recorrente de facções criminosas para explorar a menor responsabilidade penal prevista em lei, expondo jovens a riscos elevados de violência e morte. Boa Vista tem intensificado as operações de inteligência policial no combate ao microtráfico, que muitas vezes utiliza jovens como "mulas" ou vendedores de rua para evitar a prisão em flagrante de adultos.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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