PM detido em Gurupi tinha celular e munição em cela, apura PC
Polícia Civil encontrou celular e munição em cela de PM investigado pela morte de brigadista em Formoso do Araguaia.
A Polícia Civil do Tocantins cumpriu na manhã desta segunda-feira (1º) mandados de busca e apreensão em Gurupi, região sul do estado, no âmbito das investigações sobre a morte do brigadista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Sidiney de Oliveira Silva. A ação teve como alvos dois agropecuaristas e um policial militar, atualmente preso no 4º Batalhão da Polícia Militar em Gurupi.
Durante a revista na cela do militar, agentes apreenderam um aparelho celular e dois carregadores de pistola calibre .40. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os objetos estavam em posse irregular dentro da instalação prisional. O celular e os carregadores foram recolhidos, junto a outros materiais, e encaminhados para análise pericial. O PM já se encontra detido em virtude de outra investigação por homicídio, em processo autônomo ao caso do brigadista, o que facilitou o acesso da autoridade policial à unidade militar.
O inquérito que motiva as diligências desta segunda apura as circunstâncias do assassinato de Sidiney de Oliveira Silva, de 44 anos. O crime ocorreu em 15 de junho de 2024, na zona rural de Formoso do Araguaia. Segundo os registros do boletim de ocorrência, a vítima foi surpreendida na porta de sua residência, no momento em que verificava os níveis de água e óleo de seu veículo. Sidiney foi atingido por dois disparos de arma de fogo, provenientes de uma espingarda cartucheira, e não resistiu aos ferimentos.
A descoberta dos objetos ilegais na cela do investigado visa estabelecer possíveis ligações entre o militar, o crime em Formoso do Araguaia e os outros dois alvos da operação, os agropecuaristas. A posse do celular em regime fechado é considerada uma grave infração disciplinar e pode indicar comunicação externa irregular. Os peritos da Polícia Científica trabalharão para extrair dados do aparelho celular, buscando mensagens, ligações e registros de geolocalização que possam vincular o detido ao local do crime ou aos mandantes.
A Polícia Militar, por meio de sua assessoria, informou que prestou o apoio logístico necessário para o cumprimento do mandado dentro da unidade do 4º BPM, respeitando a autonomia da investigação conduzida pela Polícia Civil. A corporação ressalta que a detenção do militar, anterior às investigações do caso Ibama, ocorre em razão de outro homicídio, cujos detalhes são protegidos por sigilo no inquérito específico.
Os materiais apreendidos nesta segunda-feira — incluindo o celular, os carregadores e itens relacionados aos agropecuaristas — foram encaminhados ao Instituto de Criminalística. A perícia técnica será responsável por verificar se há vestígios de pólvora ou DNA nos carregadores, bem como a possível vinculação da arma proprietária dos carregadores com o projétil ou com a arma utilizada no crime contra o brigadista. O laudo pericial será fundamental para a conclusão do inquérito e eventual oferta de denúncia pelo Ministério Público.
O caso segue em tramitação na 1ª Vara Criminal de Formoso do Araguaia. A defesa do policial militar foi procurada para se manifestar sobre a apreensão dos objetos na cela, mas não retornou até o fechamento desta matéria. A investigação prossegue para apurar a autoria e o motivo, que recaem sobre o conflito fundiário e atividades ilegais na região do Araguaia, área de atuação frequente do Ibama.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



