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Pontes caem com chuva e isolam mais da metade da população de Bonfim, em Roraima

Seis comunidades indígenas ficam sem acesso terrestre há seis dias; prefeito decretou situação de emergência por 180 dias no município.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
28 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 615 palavras
Ponte de madeira destruída sobre um igarapé em região de floresta em Roraima após fortes chuvas.
Seis comunidades indígenas ficam sem acesso terrestre há seis dias; prefeito decretou situação de em · Foto: Redação Nortícia

O tuxaua Adilson de Sousa encara a margem alargada do igarapé onde, até sábado, passava a ponte de madeira que ligava a comunidade indígena Jacamim à sede de Bonfim. Agora, só restam os esteios quebrados e a água correndo forte. Há seis dias, o caminho acabou, levado pela enxurrada que castiga o norte de Roraima.

Cerca de 200 famílias daquela região ficaram sem saída por terra. No total, são 1,8 mil pessoas isoladas em seis comunidades indígenas — Jacamim, Boca da Mata, Marupá, Wapum e outras — depois que três pontes ruíram sob o peso das chuvas intensas. Em Bonfim, o cálculo é sombrio: mais da metade dos 13.897 habitantes está com o acesso terrestre cortado ou prejudicado, segundo dados do IBGE e da prefeitura.

A prefeitura reconheceu o caos na mobilidade e decretou situação de emergência na última quarta-feira (27). O documento, assinado pelo prefeito Romualdo Feitosa (Republicanos), tem validade de 180 dias. O decreto oficializa o que os moradores já sentem na pele: as pontes das regiões do Jacamim, Marupá e Camaleão não existem mais e o trânsito na BR-174 e vicinais está crítico.

Na comunidade Boca da Mata, a professora Maria da Silva, 41 anos, tenta organizar o transporte escolar. A van da prefeitura não consegue passar pela estrada coberta de lama. "As crianças estão perdendo aula. Tem gente que tenta atravessar a pé, mas a água está na cintura", relata a professora. Ela conta que o posto de saúde local também está com o estoque de remédios para hipertensão baixo, sem previsão de reposição imediata. O medo agora é que a falta de transporte impeça emergências maiores.

O agricultor Raimundo Nonato, 55, mora no Wapum e vê a produção de banana apodrecendo no galpão. A colheita da semana estava pronta para ir para a feira de Bonfim. "Se não leva, estraga. E como eu vou sair? De barco é muito caro e demorado, e eu não tenho dinheiro para o combustível", questiona. Ele estima que o prejuízo chegue a três salários mínimos para a família dele só neste mês. A perda da safra é um golpe na economia doméstica de quem vive da venda direta.

A assessoria da prefeitura informou, em nota, que as equipes da Defesa Civil estão de plantão e que técnicos já foram às áreas afetadas para o levantamento de danos. "As áreas mais afetadas são a região do Ponto Cinco e as comunidades indígenas Jacamim, Boca da Mata, Marupá e Wapum, onde mais de 3.500 moradores encontram-se isolados devido aos alagamentos e aos danos provocados pelas chuvas intensas", diz o texto oficial. O Ponto Cinco é um entroncamento rodoviário vital para o abastecimento da cidade.

O isolamento se arrasta desde o último sábado (23). A chuva constante elevou o nível dos igarapés e fez com que as estradas vicinais, todas de terra na região, virassem atalhos perigosos ou ficassem interrompidas. A reconstrução das pontes de madeira exige licitação e tempo, o que preocupa os tuxauas. "A gente precisa de ajuda rápida, não daqui a um mês. O governo do estado precisa olhar pra cá", cobra o tuxaua Adilson, enquanto aponta para o local onde a ponte estava.

Enquanto as obras de emergência não saem do papel, o transporte fluvial se tornou a única alternativa para quem precisa ir ao centro urbano buscar mantimentos ou atendimento médico. O custo da travessia subiu, e o tempo de deslocamento dobrou. Para quem precisa de tratamento de saúde regular, como dialíticos ou gestantes, a incerteza é a maior angústia.

Moradores de Bonfim que necessitam de resgate ou informações sobre supplies podem contatar a Defesa Civil municipal pelo número do plantão disponível na Prefeitura, ou discar 190 em casos de risco iminente.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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