Servidor do HGR é preso em flagrante por cobrar ilegalmente por exames do SUS
Técnico em radiologia de 48 anos cobrava R$ 600 por ressonâncias magnéticas; delegada usou disfarce para autuar em Boa Vista.
A Polícia Civil de Roraima, através da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), efetuou na manhã desta segunda-feira (2) a prisão em flagrante de um técnico em radiologia no interior do Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. O servidor, identificado pelas iniciais J.A.S., 48 anos, foi detido sob a acusação de cobrar valores financeiros para a realização de exames de imagem oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o apuramento policial, o investigado exigia a quantia de R$ 600 de cada paciente para agilizar ou garantir a realização de ressonâncias magnéticas. A investigação preliminar indica que o esquema ilícito estava em operação há aproximadamente seis meses, atingindo um universo confirmado de, no mínimo, 30 vítimas que buscavam atendimento na maior unidade de saúde do estado.
A operação de inteligência para a captura do suspeito foi conduzida pessoalmente pela titular da pasta de Segurança Pública, delegada Eliane Gonçalves. Conforme descrito no Auto de Prisão em Flagrante, a autoridade policial e sua equipe adotaram estratégia de abordagem dissimulada. A delegada utilizou vestimentas características de profissionais da saúde para circular pelo setor de radiologia sem despertar suspeitas, enquanto os agentes de apoio permaneceram à paisana nas proximidades.
O flagrante foi configurado no momento em que J.A.S. recebia o valor ilícito de uma paciente. Segundo nota oficial da Sesp, ao ser confrontado, o servidor confessou a prática delituosa e a existência da cobrança sistemática. A abordagem ocorreu dentro das dependências do HGR, garantindo a segurança dos pacientes e funcionários presentes no local.
Além da prisão do técnico, o inquérito policial aponta a participação de um casal de indivíduos que atuariam como intermediários, captando pacientes em situação de vulnerabilidade na fila de espera para indicar o serviço ilegal. As investigações continuam para localizar esses dois suspeitos, que não se encontravam no hospital no momento da ação policial. A polícia avalia se houve repartição dos valores obtidos ilegalmente entre o grupo.
Os fatos tipificam, em tese, crimes contra a Administração Pública, possivelmente na modalidade de corrupção passiva, e estelionato. O uso da condição de servidor público para obter vantagem indevida agrava o quadro penal. Após a detenção, J.A.S. foi recolhido à sede da delegacia para o procedimento de identificação e lavratura do flagrante, onde permanece à disposição da Justiça.
A defesa do investigado ainda não foi constituída nos autos. Conforme determina o Código de Processo Penal, o autuado deverá ser apresentado à audiência de custódia no prazo de 24 horas para avaliação da legalidade da prisão e eventual concessão de liberdade provisória. O inquérito será remetido ao Ministério Público Estadual para oferecimento da denúncia.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
Leia também —
ver mais em Segurança →
Nortícia SegurançaTJAM condena advogada por tráfico com 10 kg de cocaína em Manaus
Nortícia SegurançaPM detido em Gurupi tinha celular e munição em cela, apura PC
Nortícia Segurança